Aldo Luiz Mendes, indicado para novo diretor de Política Monetária do Banco Central, defendeu nesta terça-feira a independência da instituição e afirmou que o "valor ideal" da taxa de câmbio deve ser definida pelas forças de mercado.
Já na parte inicial de sua apresentação à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Mendes declarou que, "para o perfeito funcionamento da política de metas de inflação, é necessário que um banco central disponha de autonomia".
– Desde meados dos anos 90, uma boa parte de bancos centrais no mundo adquiriu sua independência. Também no caso brasileiro, a experiência nos últimos anos comprova que o BC deve dispor de autonomia operacional de facto para calibrar com eficiência os instrumentos de política monetária, baseado, evidentemente, em critérios estritamente técnicos – acrescentou.
Questionado por parlamentares, Mendes reforçou essa avaliação e disse que, em termos teóricos, é favorável também à independência formal do BC.
– Parte do sucesso da política econômica hoje se dá em virtude da autonomia operacional... a autonomia de facto existe hoje. Com relação à autonomia formal, em termos conceituais, eu sou favorável; contudo, é um debate muito maior – disse.
Segundo ele, a taxa de câmbio ideal deve ser determinada pelas forças de mercado, enquanto as atuações do BC no mercado visam manter a liquidez "dentro de patamares adequados".
No início de sua sabatina, Mendes também defendeu as metas de inflação, argumentando que esse regime age preventivamente, o câmbio flutuante e a responsabilidade fiscal.
– Quando atingido pela crise, o Brasil encontrava-se fortalecido, com reservas internacionais altas... e sistema bancário mais exigente que de outros países – acrescentou Mendes.
– Estabilidade monetária, previsibilidade, grau de investimento, crescimento econômico forte e perspectivas positivas para o Brasil o tornaram um dos países mais atrativos – completou.
Ele foi indicado na semana passada para substituir o diretor Mario Torós. Depois da sabatina na CAE, o nome precisa ser aprovado pelo plenário do Senado.
Mendes, de 51 anos, tem como função mais recente a presidência da Companhia de Seguros Aliança do Brasil. Entre 2001 e 2009, esteve no Banco do Brasil, onde ocupou a diretoria de Finanças, depois foi diretor de mercado de capitais e vice-presidente de Finanças, Mercado de Capitais e Relações com Investidores.
Convite a Torós
O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) chegou a pedir vistas durante a sessão da CAE, o que poderia interromper a sabatina. Depois de algum debate, o pedido foi retirado, mas a CAE formalizou um convite para ouvir Mario Torós.
Especulações de que Torós teria manifestado interesse em deixar o BC circulavam entre investidores há algum tempo, mas o processo de sua saída foi acelerado depois de uma entrevista dele ao jornal Valor Econômico em que detalhou os bastidores da crise global no Brasil.
Indicado para substituir Toró, Aldo Mendes defende a independência do BC
Aldo Luiz Mendes, indicado para novo diretor de Política Monetária do Banco Central, defendeu nesta terça-feira a independência da instituição e afirmou que o "valor ideal" da taxa de câmbio deve ser definida pelas forças de mercado.(Leia Mais) Para Aldo a taxa de câmbio ideal deve ser determinada pelas forças de mercado
Terça, 24 de Novembro de 2009 às 10:37, por: CdB