Na reunião desta terça-feia, integrantes da Executiva Nacional do PT não conseguiram esconder o desconforto com a indicação de Nelson Jobim (PMDB) para o Ministério da Defesa. Mais do que a perda de uma pasta, antes ocupada por Waldir Pires, os petistas se queixam do significado da escolha de Jobim - titular da Justiça no governo FHC e amigo do governador José Serra (PSDB) - como um reconhecimento de que o PT seria a origem de problemas no governo federal.
- O problema é que Jobim é bem tucano - afirma o secretário de Relações Internacionais do PT, Valter Pomar, da Articulação de Esquerda.
Os petistas reclamam do tom adotado por Jobim na posse. Ao lado de Pires, Jobim avisou que a incompetência seria punida na sua gestão. Para o secretário de Movimentos Sociais do PT, Renato Simões, Jobim reverbera o senso comum de que a incompetência do PT é a causa do caos aéreo.
- Achei o ministro indelicado com Waldir Pires ao concluir que ele saiu por incompetência. O PT não tripudiou sobre a saída do Silas Rondeau (de Minas e Energia). Esperávamos outra postura de ministro do PMDB - disse Simões. Pomar e Simões questionam ainda o encontro de Jobim com Serra logo após sua posse. Simões disse que as bases ficaram incomodadas com o processo de escolha.
Já o secretário nacional do PT, Joaquim Soriano, afirma que a mudança no Ministério da Defesa requer uma discussão interna da Executiva. Mas prefere não comentar a opção por Jobim.
- Espero que ele resolva os problemas, debele a crise aérea. É só o que quero falar - reagiu Soriano.
A exemplo de Soriano, Pomar defende a maior participação do PT na articulação política do governo. Pomar lamenta que os aliados, especialmente os encarregados da coordenação política, não entendam que o desgaste do PT acabe por afetar o governo Lula. Reivindicando um espaço para o PT na articulação - na cadeira de Walfrido dos Mares Guia ou na liderança do governo -, Pomar disse que a reforma política fracassou, porque quem faz a articulação política do governo acha que o PT é uma coisa e o governo é totalmente diferente.
- Quando entra um ministro ligado ao FHC, não é só o PT que perde. É o governo que perde também - prega Pomar.
Soriano concorda que um grande erro foi a substituição de Tarso Genro (PT) por Walfrido (PTB) na articulação política. Embora descarte que a saída de Pires represente uma perda de espaço, o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, reiterou que o ex-ministro tem todo apreço, confiança e solidariedade do partido. Nesta terça-feira, integrantes da Executiva discutiram o papel da Anac e os efeitos de uma renúncia coletiva da diretoria. Eles também rejeitam a proposta da abertura de capital da Infraero.
- A Infraero tem de ser fortalecida - disse o 3° vice-presidente, Jilmar Tatto.