Depois de conhecidos os indicados aos Oscar, os grandes estúdios de Hollywood estão envolvidos na já costumeira batalha para colocar seus filmes em evidência e encher as salas, numa corrida contra o relógio.
- Uma indicação para o Oscar pode render a um filme até U$S 100 milhões de adicionais - afirma o especialista Tom O'Neil.
É por isso que os estúdios, nestes dias, se lançam numa batalha "para conseguir com que seus filmes sejam vistos pela maior quantidade de pessoas", continuou.
Entre os beneficiados este ano estão os filmes independentes como Cidade de Deus, Encontros e Desencontros ou Terra dos Sonhos, que disputarão as estatuetas com mega-produções como O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei ou Mestre dos Mares.
Para filmes de baixo orçamento, como Cidade de Deus, Encantadora de Baleias e Monster ser candidatos ao Oscar significa um grande rendimento de bilheteria e vendas de DVDs em todo o mundo.
- (O independente) Encontros e Desenvcontros, que tem quatro indicações, entre elas para 'melhor diretor' e 'melhor fotografia', pode chegar a arrecadar U$S 30 milhões adicionais - disse O'Neil, autor de vários livros sobre a Academia.
Com seis indicações, outro vencedor foi Sobre Meninos e Lobos, dirigido por Clint Eastwood, que de 133 salas passou a ser exibido em 1.327 no fim de semana passado, destacou O'Neil.
O épico Mestre dos Mares, com dez indicações, será exibido no próximo fim de semana em 1.800 salas cinematográficas, continuou.
Os especialistas consideram que a última parte da trilogia de O Senhor dos Anéis, favorita aos prêmios máximos de "melhor filme" e "melhor diretor", é a que menos sentirá o fervor da "temporada dos Oscar".
O filme foi líder de bilheteria durante várias semanas consecutivas nos Estados Unidos, onde arrecadou mais de U$S 350 milhões, segundo a empresa Exhibitor Relations.
Ao contrário do ano passado, para muitos a grande perdedora este ano foi a Miramax e sua aposta, Cold Mountain, que apesar das sete indicações ficou fora da disputa para as categorias mais cotadas. Nem Anthony Mingella - diretor de Cold Mountain - nem Nicole Kidman - sua principal protagonista - foram indicados.
Para Harvey Weinstein, co-fundador da Miramax, o filme foi prejudicado pela decisão da Academia de encurtar "a temporada dos Oscar", isto é, o tempo em que os estúdios fazem sua campanha a favor de seus filmes, e a realização da cerimônia antes do normal: 29 de fevereiro ao invés de 24 de março.
"Se pudesse mudar as coisas, estrearia o filme em novembro", disse. De qualquer forma, os especialistas acham que todos - estúdios e filmes - foram prejudicados com a decisão da Academia.
Uma temporada mais curta "significa menos dinheiro para todo mundo", disse O'Neil.
O tempo é curto e não só para estúdios e produtoras, mas também para as lojas de vídeo, os organizadores e a televisão, preocupada com a queda de audiência do "show" nos últimos anos.
A Blockbuster já anunciou uma promoção dos filmes indicados, todos os cinemas exibem um comercial de 60 segundos sobre a cerimônia e as emissoras de televisão a cabo farão o mesmo.
O produtor-executivo da cerimômia de entrega dos Oscar, Joe Roth, prometeu para este ano um "show" mais moderno e divertido. Especialmente porque o número de telespectadores da cerimônia caiu 40% de 1998 a 2003, segundo informações da Nielsen Media Research.
Restam apenas 17 dias para que o palco do Teatro Kodak, em pleno centro de Hoolywood, dê lugar às piadas do ator Billy Cristal, mestre de cerimônias da noite do Oscar, ao lado de estrelas como Catherine Zeta-Jones, Nicole Kidman e Tom Hanks.
Com o desafio de devolver o brilho a uma cerimônia obscurecida, no ano passado, pela Guerra do Iraque, o showman revelará histórias de bastidores