Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Índia pode aprovar uso de reservas para infra-estrutura

Terça, 22 de Fevereiro de 2005 às 17:39, por: CdB

O Orçamento da Índia, que será conhecido na semana que vem, pode dar luz verde a um controverso plano que permitiria o uso de reservas para financiar projetos de infra-estrutura, ainda que isso talvez resulte em ampliação do déficit fiscal e alta da inflação.

Mas analistas dizem que o governo federal indiano - dependente dos aliados comunistas e que dedica cerca de metade da arrecadação ao pagamento de juros da dívida - pode estar disposto a assumir riscos para resolver os problemas da precária infra-estrutura do país, e conseguir o crescimento de dois dígitos necessário a reduzir a pobreza na quarta maior economia da Ásia.

- Existe necessidade de melhorar a infra-estrutura e o governo não dispõe de fundos suficientes para investir, enquanto o setor privado não está disposto a aplicar o dinheiro - disse Pradeep Srivastava, economista-chefe do National Council for Applied Economic Research, em Nova Délhi.

- O plano de usar as reservas cambiais para financiar a infra-estrutura é o primeiro passo na identificação de uma importante questão quanto ao financiamento - acrescentou.

As necessidades de capital do setor de infra-estrutura indiano são imensas, mas um déficit fiscal teimosamente alto -10 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) tanto para o governo federal quanto para os governos estaduais - deixa poucos recursos disponíveis ao país.

As reservas cambiais, que em 1991 mal bastavam para três semanas de importações, hoje atingem os 130 bilhões de dólares, o quinto maior total do mundo e o suficiente para financiar 15 meses de importações.

Isso levou Montek Singh Ahluwalia, o poderoso vice-presidente da comissão de planejamento indiana, a argumentar que as reservas são superiores ao necessário, e que cinco bilhões de dólares ao ano poderiam ser usados para financiar o desenvolvimento da infra-estrutura, nos próximos três anos.

A economia indiana, com PIB de 600 bilhões de dólares e crescimento anual médio de quase seis por cento nos últimos cinco anos, tem bom desempenho. Mas suas estradas, portos e sistemas de energia ficam muito para trás se comparados aos da Coréia do Sul, a terceira maior economia asiática.

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