Rio de Janeiro, 12 de Fevereiro de 2026

Índia entra em crise política após acordo nuclear com EUA

Terça, 21 de Agosto de 2007 às 08:33, por: CdB

O histórico acordo de cooperação energética nuclear assinado em julho entre Índia e Estados Unidos provocou a maior crise política em Nova Délhi desde 2004, devido às divergências entre o Partido do Congresso e seus aliados comunistas no Parlamento.

As quatro formações de esquerda que apóiam o primeiro-ministro, Manmohan Singh, advertem desde o final de semana sobre as ‘graves conseqüências’ caso o acordo com Washington seja colocado em prática.

Os comunistas ameaçaram retirar seu apoio ao governo formado em 2004, o que levantou a possibilidade de se antecipar as eleições previstas para 2009.

- Estamos diante de um bloqueio total. Nem os comunistas nem o Partido do Congresso querem se mover - disse o cientista político Pran Chopra.

Para a esquerda radical, o pacto com os Estados Unidos é um afronte à soberania indiana, sobretudo porque proíbe novos testes atômicos no país (após os efetuados em 1974 e 1998). Os Estados Unidos advertiram taxativamente que o acordo em questão, denominado 123, seria suspenso nesse caso.

O primeiro-ministro Singh disse que a Índia continua aplicando sua moratória unilateral e que esse acordo não impedirá que realize testes se forem necessários. Mas o pacto representa principalmente para a Índia - se o Congresso americano finalmente ratificar o texto -, o acesso às exportações de combustível, tecnologia e reatores nucleares americanos pela primeira vez em três décadas.

Em troca, Nova Délhi, que não é signatária do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), se compromete a abrir suas instalações aos inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O organismo da ONU deve discutir os detalhes em setembro, mas os comunistas querem suspender essa abertura.

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