Os representantes da Índia e do Paquistão concluíram, nesta sexta-feira, em Nova Délhi, três rodadas de conversações sobre o Projeto Hidrelétrico de Baglihar, sem chegar a acordo algum, informaram fontes oficiais.
Apesar de ter prolongado a reunião um dia, já que sua conclusão estava prevista para a quinta-feira, a delegação paquistanesa, liderada pelo secretário do Ministério de Água e Energia, Ashfaq Mahmoud, e a indiana, dirigida pelo secretário do ministro de Recursos do Águas, V.K. Duggal, não conseguiram resolver suas diferenças sobre o tema.
As representações dos dois países tentaram buscar uma solução para a disputa do projeto de Baglihar, no rio de Chenab, na área da Caxemira sob controle indiano, no qual Nova Délhi quer construir uma represa e Islamabad se opõe.
O Paquistão insiste que o projeto viola um acordo assinado pelas partes em 1960 sob auspício do Banco Mundial e alega que a represa afeta a corrente de água e constitui uma ameaça à irrigação nos territórios paquistaneses banhados pelo rio Chenab.
Antes, na segunda-feira, o porta-voz do Ministério de Exteriores paquistanês, Masood Khan, afirmou que se não chegassem a qualquer tipo de acordo, seu país solicitaria a intervenção do Banco Mundial como mediador no conflito.
Depois de quase seis décadas de hostilidade, nas quais a Índia e o Paquistão mantiveram três guerras, duas delas pela Caxemira, os dois países iniciaram em abril de 2003 uma distensão que levou a conversações de paz abertas há um ano, para discutir os temas de conflito, um a um.
Tais diálogos se materializaram na adoção de medidas de confiança, mas ainda não derivou na proposta de uma solução definitiva ao conflito da Caxemira, um território no Himalaia com uma população majoritariamente muçulmana que ficou em parte sob controle indiano depois da partilha da Índia e do Paquistão ao obter sua independência do Reino Unido em 1947.
Índia e Paquistão não entram em acordo sobre projeto hidrelétrico
Sexta, 07 de Janeiro de 2005 às 06:23, por: CdB