Índia e Paquistão iniciaram no sábado negociações sobre meios para reduzir o risco de uma guerra nuclear entre os dois países. A iniciativa é a primeira desse tipo desde que os dois vizinhos tornaram-se potências nucleares em 1998 e ocorre dois anos após chegarem à beira de um novo confronto.
Os dois dias de conversações em Nova Délhi são parte de um processo de restabelecimento de relações.
O secretário interino de Relações Exteriores do Paquistão, Tariq Osman Hyder, está chefiando uma missão de oito integrantes durante as negociações, juntamente com o secretário do Ministério das Relações Exteriores da Índia, Sheel Kant Sharma, e outras autoridades.
A expectativa é que as negociações incluam a criação de um canal de comunicação direto entre os governos dos dois países para evitar uma súbita escalada nuclear.
Os delegados do Paquistão deverão reunir-se com o ministro das Relações Exteriores indiano, Natwar Singh, no final do dia.
As negociações, atrasadas por um mês devido às eleições na Índia, ocorrem uma semana antes das discussões do próximo sábado entre os secretários dos dois países sobre um amplo leque de assuntos, que incluem a disputa sobre a Caxemira.
Tensões sobre a região da Caxemira, especialmente os confrontos no verão de 1999 na área de Kargil, atrasaram por seis anos as negociações sobre a redução do risco de conflito nuclear entre os dois países.
Para alguns analistas, a assinatura de acordos entre os dois países para a redução do risco de confronto nuclear é vital para melhorar o relacionamento entre Índia e Paquistão, vizinhos armados com um arsenal de mísseis balísticos atômicos e imersos em décadas de hostilidade.
"A confiança nuclear é muito importante. Vai criar uma melhor atmosfera e formar uma base sólida para a discussão de outros assuntos, incluindo a Caxemira," disse Pran Chopra, analista político de questões relacionadas ao sul da Ásia.
Analistas também afirmam que o fato de os dois países discutirem meios para evitar um conflito nuclear é positivo em si mesmo.
"O objetivo das negociações é chegar a um acordo sobre uma ampla agenda para conversações futuras. É irrealista esperar uma resolução rápida. Levou 30 anos para as superpotências romper seu impasse nuclear," disse o analista military Jasjit Singh.
"Mas, agora ou depois, os dois lados terão de discutir sobre a redução de conflito armado para diminuir o risco de um confronto nuclear," acrescentou.
Índia e Paquistão travaram duas de suas três guerras em razão da disputa sobre a região da Caxemira, onde militantes islâmicos combatem as forças de Nova Délhi na porção administrada pela Índia.
Apesar das tentativas de um acordo de paz após os conflitos em Kargil, os dois países chegaram perto de uma nova guerra em meados de 2002, depois que militantes lotados no Paquistão atacaram o Parlamento indiano no final de 2001, elevando as tensões de um confronto nuclear.
Mas uma oferta de paz no ano passado feita por Atal Behari Vajpayee, então primeiro-ministro da Índia, estimulou uma resposta animadora de Islamabad. Rotas de transporte e as relações diplomáticas entre os dois países foram restabelecidos e o ex-premiê chegou a encontrar-se com o presidente paquistanês, Pervez Musharraf, em janeiro passado, no Paquistão.
A política declarada de Nova Délhi é não atacar primeiro. Mas o Paquistão, preocupado com o crescente poderio bélico indiano, não fez promessa semelhante.