A Índia e o Paquistão chegaram nesta terça-feira a um ``acordo amplo'' sobre o formato de futuras negociações de paz depois de um encontro de dois dias realizado em Islamabad. O acordo foi firmado após diplomatas de escalão médio terem realizado as primeiras negociações formais entre os países inimigos em mais de dois anos e meio.
Os principais assuntos tratados foram a disputa em torno da Caxemira e a segurança da região.
``Um acordo amplo foi firmado a respeito das modalidades e do cronograma de um diálogo a ser realizado'', afirmou o Ministério das Relações Exteriores do Paquistão em um comunicado.
Os chanceleres dos dois países devem se reunir em Islamabad nesta quarta-feira. As equipes de negociadores submeteriam a proposta de futuras negociações às duas autoridades para ser aprovada.
O acordo deve reavivar o diálogo sobre oito áreas de conflito, um processo paralisado em 1998 e definitivamente abandonado na metade de 2001 ``De forma ampla, daremos prosseguimento à agenda acertada em 1998'', afirmou à Reuters uma autoridade indiana em Islamabad.
Na fórmula acertada então, os chanceleres discutiriam a questão da Caxemira e a ``paz e a segurança'' - expressão que engloba uma série de medidas de fomentação da confiança mútua, com o objetivo de evitar a eclosão de uma guerra convencional e nuclear na região.
Autoridades de outros ministérios abordariam uma série de outros assuntos, entre os quais o comércio, os contatos entre nacionais dos dois países e as disputas sobre recursos hídricos, fronteiras marítimas e a geleira Siachen.
O anúncio é feito depois de um encontro histórico, no mês passado, entre o primeiro-ministro indiano, Atal Behari Vajpayee, e o presidente paquistanês, Pervez Musharraf. O Paquistão gostaria de avançar o mais rápido possível, especialmente na disputa pela Caxemira.
O país acusou a Índia de tentar atrasar o processo no passado e de usar as negociações como uma forma de colocar a questão de lado. O governo indiano deve negociar de forma cautelosa, ao menos até as eleições de abril.