Rio de Janeiro, 11 de Outubro de 2026

Índia admite falhas de segurança em ataques a Mumbai

Sexta, 05 de Dezembro de 2008 às 07:56, por: CdB

O novo ministro indiano do Interior, Palaniappan Chidambaram, disse na sexta-feira que os atentados da semana passada em Mumbai revelaram falhas na segurança, e que há provas contundentes de envolvimento do inimigo Paquistão.

O governo indiano está sob críticas da oposição devido a uma suposta fraqueza na segurança, que teria permitido que dez muçulmanos armados passassem três dias espalhando o terror pela antiga Bombaim, principal centro financeiro da Índia.

– Eu seria menos do que leal se eu dissesse que não houve lapsos – disse Chidambaram a jornalistas em Mumbai.

– Eles estão sendo examinados. Vamos cuidar das causas que levaram aos lapsos – completou.

Chidambaram assumiu o cargo no domingo, após a renúncia do seu antecessor Shivraj Patil. A Índia terá eleições em maio, e analistas dizem que o primeiro-ministro Manmohan Singh precisa demonstrar uma ação firme na questão da segurança para conter as críticas.

Na manhã de sexta-feira, estampidos foram ouvidos no aeroporto internacional de Nova Délhi, causando agitação. A polícia interditou os arredores do aeroporto, mas um suspeito conseguiu fugir sozinho em um veículo utilitário, segundo o canal NDTV. A polícia disse que não houve feridos.

Pelo menos 171 pessoas foram mortas nos incidentes de Mumbai. A Índia diz que nove militantes morreram e um foi preso, mas analistas dos EUA afirmam que vários outros podem ter fugido.

– Acho que há mais. Minhas fontes dizem pelo menos 23 atiradores – afirmou Farhana Ali, ex-analista da CIA e da Rand Corp., especialista em redes militares.

– Se isso for verdade, me pergunto por que não vimos mais ataques. Será que eles estão escondidos? – questionou.

Mas Chidambaram disse que não há sinais de mais agressores à solta. Jornais locais disseram que a ISI, agência paquistanesa de espionagem, se envolveu no treinamento de militantes supostamente ligados ao grupo paquistanês Lashkar-e-Taiba, responsabilizado por atentados anteriores na Índia.

– A conexão da Inteligência Inter-Serviços (ISI) foi clara e evidente – disseram fontes de inteligência de Nova Délhi ao jornal Times of India.

O Paquistão condenou o ataque, negou envolvimento de órgãos públicos e prometeu ajudar na investigação indiana. Antes de agir, porém, Islamabad exige provas do envolvimento de paquistaneses.

O ataque de Mumbai gerou uma nova onda de tensão entre os dois vizinhos, rivais com armas nucleares, que há quatro anos tentam uma reaproximação, agora comprometida.

A secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, foi nesta semana a Nova Délhi e a Islamabad para tentar estabelecer uma mediação entre os dois países, que travaram três guerras desde sua independência, em 1947.

Rice minimizou a possibilidade de uma reação militar da Índia, e disse que a luta global contra o terrorismo exige cooperação.

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