Rio de Janeiro, 07 de Abril de 2026

<i>Independent</i>: Etanol não é a solução para os males do mundo

O diário britânico The Independent questiona em sua reportagem de capa e em seu editorial desta segunda-feira as vantagens do etanol, alertando para os possíveis problemas ambientais causados pelo aumento na produção do combustível e afirmando que a substituição do petróleo pelo álcool não é a solução para combater o aquecimento global. (Leia Mais)

Segunda, 05 de Março de 2007 às 09:01, por: CdB

O diário britânico The Independent questiona em sua reportagem de capa e em seu editorial desta segunda-feira as vantagens do etanol, alertando para os possíveis problemas ambientais causados pelo aumento na produção do combustível e afirmando que a substituição do petróleo pelo álcool não é a solução para combater o aquecimento global. O jornal afirma que a visita do presidente George W. Bush ao Brasil nesta semana e a perspectiva da criação de uma "Opep do etanol", nos moldes do cartel dos produtores de petróleo, "vem atraindo frenéticos investimentos em biocombustíveis nas Américas".

A reportagem observa que "para seus defensores, o etanol, que pode ser produzido a partir de milho, cevada, trigo, cana-de-açúcar ou beterraba, é uma panacéia verde - uma fonte de energia renovável e limpa, que nos veria trocar poços de petróleo decadentes por plantações sem limite para satisfazer nossas necessidades de energia". Mas o Independent observa que um crescente número de economistas, cientistas e ambientalistas vêm alertando para os problemas que o crescimento acelerado na produção de etanol pode provocar.

"A perspectiva de um aumento súbito na demanda por etanol está provocando preocupações sérias até mesmo no Brasil", diz o jornal. "A indústria do etanol tem sido ligada à poluição do ar e da água em escala épica, além do desmatamento tanto na Amazônia como nas florestas tropicais atlânticas e à destruição do cerrado brasileiro".

O editorial do jornal afirma que o problema é que os norte-americanos e europeus esperam que a substituição do petróleo pelo álcool combustível ocorra sem sobressaltos e não altere seus estilos de vida. O texto lembra que o desmatamento de florestas para o cultivo de matérias-primas para o etanol, como milho ou cana-de-açúcar, pode provocar ainda mais aquecimento do que combater as mudanças climáticas, e que o aumento nos preços dos alimentos provocado pela demanda por terra ameaça a população mais pobre.

"Simplesmente substituir o uso de combustíveis fósseis pelo etanol não vai nos livrar de nosso dilema. Isso não vai 'salvar o planeta', pelo menos não por si só. Isso vai exigir também uma redução aguda no consumo de combustível", conclui o editorial.

A visita de Bush ao Brasil é "a parada mais importante" em sua viagem à América Latina, segundo reportagem publicada nesta segunda-feira pelo Wall Street Journal. "Bush pretende acelerar sua iniciativa em prol dos combustíveis alternativos, anunciando uma pareceria estratégica com o Brasil para ampliar o mercado mundial para o etanol", relata o jornal.

A reportagem observa que Lula deve reivindicar uma redução nas tarifas de importação que os Estados Unidos impõem sobre o etanol brasileiro, mas avalia que "as possibilidades de conseguir isso são pequenas no Congresso dos Estados Unidos, onde parlamentares eleitos por regiões agrícolas tendem a proteger a produção local de álcool do milho".

A viagem de Bush à América Latina também ganhou destaque na imprensa da Argentina, país que não está na rota da visita. Segundo o diário Clarín, "há até agora apenas uma única certeza" sobre a reunião entre Lula e Bush em São Paulo, na sexta-feira: "É a convicção de que ambos os países fecharão um 'acordo macro' - ou seja, de intenções - sobre o etanol".

O jornal afirma, porém, que "os funcionários de Bush já alertaram seus colegas brasileiros de que não haverá nenhuma espécie de 'concessão' nesse terreno aos produtores de etanol no Brasil" e que o governo de Lula já foi avisado de que não haverá abertura do mercado norte-americano ao produto brasileiro.

Já o diário La Nación afirma que a visita de Bush "tentará mostrar, na prática, que a região interessa aos Estados Unidos, apesar de sua obsessão por Iraque, Irã e o resto do Oriente Médio e, também, de todos os desafios que Hugo Chávez e seus aliados queiram lhe apresentar". Segundo o jornal, "o próprio Bush decid

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