Rumores e especulações sobre a iminente libertação da dissidente Aung San Suu Kyi se espalham nesta sexta-feira por Mianmar, mas a junta militar não confirma nada. A imprensa e grupos de discussão na internet especulam que a carismática militante, Prêmio Nobel da Paz de 1991, poderia ser libertada da prisão domiciliar, que expira neste sábado. Há relatos, citando fontes do governo, de que o líder da junta militar, general Than Shwe, já assinou uma ordem para a libertação dela. Mas, num dos regimes mais fechados do mundo, pouca gente pode afirmar com certeza o que está realmente acontecendo. Analistas e diplomatas dizem que até os ministros são mantidos na ignorância. - Esta é a natureza de Than Shwe e seu regime -, disse David Mathieson, especialista em Mianmar na entidade Human Rights Watch, na vizinha Tailândia. - As pessoas do governo não sabem, o partido de Suu Kyi não sabe, e os especialistas certamente não sabem. Ninguém sabe mais do que ninguém. Sabemos que a prisão domiciliar dela expira no sábado, e todo o resto está no terreno das especulações. Mianmar realizou no domingo sua primeira eleição parlamentar em 20 anos, vencida por ampla margem pelo Partido da União, Solidariedade e Desenvolvimento, ligado aos militares. A lisura da votação foi contestada pela comunidade internacional. Passado o pleito, o regime pode estar em busca de alguma legitimidade internacional com a libertação de Suu Kyi, num momento em que ela praticamente não ameaça a formação de um governo que os militares possam controlar. Advogados da proscrita Liga Nacional pela Democracia, o partido de Suu Kyi, dizem que ela não foi informada sobre nada, mas que estão confiantes em que ela seja solta neste sábado. Por causa dos rumores, dezenas de pessoas se aglomeram na rua perto da vigiadíssima casa onde ela está presa, em Yangun. Cerca de outros 400 simpatizantes se reuniram em frente à sede do partido dela, muitos com cartazes com a foto de Suu Kyi. Onde a polícia grita com os manifestantes para que eles dêem espaço ao tráfego. Suu Kyi, filha do herói da independência birmanesa, foi detida pela primeira vez em 1989 e solta em 1995. Voltou a ser presa em 2000, e libertada em 2002. No ano seguinte, voltou a ser detida e submetida a sucessivos períodos de prisão domiciliar - dos quais o último, de 18 meses, expira no sábado.
Incerteza sobre libertação de Nobel da Paz
Rumores e especulações sobre a iminente libertação da dissidente Aung San Suu Kyi se espalham nesta sexta-feira por Mianmar, mas a junta militar não confirma nada.
Sexta, 12 de Novembro de 2010 às 11:18, por: CdB