Uma área florestal do tamanho da cidade de Nova York foi destruída, neste mês, pelas chamas que atingiram o noroeste da Espanha, provocando acusações de incompetência política e denúncias sobre incêndios criminosos, disse uma autoridade nesta quarta-feira. - Uma grande área foi queimada, cerca de 70 mil hectares - afirmou Emilio Perez, chefe de governo da região da Galícia, acrescentando que muitos incêndios haviam sido iniciados intencionalmente.
A amplitude da destruição provocada pelo fogo transformou-se em uma arma política nas mãos do Partido Popular (PP), o maior da oposição. A legenda acusou autoridades locais e nacionais, ambas pertencentes ao Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), de incompetência e desorganização ao combater os incêndios.
O PP afirmou ter descoberto, com base em informações fornecidas por um site da Nasa (agência espacial dos EUA), que 175 mil hectares de floresta haviam se transformado em cinza.
Depois de esforços de emergência que contaram com a participação das Forças Armadas, de 7 mil bombeiros e de aviões que jogavam água do mar sobre as chamas, apenas um foco continuava queimando na quarta-feira.
Mas os incêndios prejudicaram o setor turístico da Galícia no mês de maior movimento do ano. Os banhistas da região costeira viram-se cobertos de cinzas e os que acampavam foram tirados de suas barracas ou convocados para ajudar no combate ao fogo.
A polícia prendeu 30 pessoas acusadas de iniciar incêndios. E as autoridades falaram em uma conspiração realizada por bombeiros e em atos de vingança praticados por moradores de certos vilarejos contra os de outros.
Um bombeiro que trabalha meio-período foi flagrado em uma mata carregando uma lata de gasolina e 14 isqueiros. Um jornal publicou uma foto de pequenos pára-quedas carregando fogos de artifício e pousando sobre árvores.
Enquanto as suspeitas aumentam, alguns bombeiros reagem.
- É triste apagar incêndios e ser chamado de piromaníaco. É como acusar um médico de assassinato - afirmou um deles, Nacho Penela, ao jornal El País.
No verão espanhol, são comuns os incêndios florestais. Entre 1990 e 2004, uma média de 140 mil hectares de mata foram queimados todos os anos.
Quase todos os incêndios são iniciados intencionalmente. Mas ecologistas dizem que o principal problema é o mau gerenciamento das áreas de floresta em uma zona rural cada vez menos povoada.
A maior parte das florestas da Galícia é formada por pequenas áreas de pinheiro e eucalipto. Os proprietários das terras onde fica essa vegetação raramente se preocupam com retirar o material inflamável que se acumula no chão da mata, disse Felix Romero, do World Wildlife Fund/Adena.
- A Galícia precisa reestruturar seu setor florestal. A região enfrenta hoje uma crise florestal - afirmou Romero.