Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

Incêndio no Morro dos Cabritos foi mais extenso que o previsto

O incêndio que se alastrou pelo Parque da Catacumba e pelo Morro dos Cabritos de sábado para domingo atingiu 20 hectares de costão rochoso, o equivalente a 20 campos de futebol, como constatado nesta segunda-feira em vistorias de equipes da Secretaria municipal do Meio Ambiente. A área é cinco vezes maior do que fora divulgado domingo pelo prefeito Eduardo Paes. No entanto, o impacto do incêndio no ecossistema da região foi menor do que o imaginado, já que as chamas varreram apenas as partes rochosas do Parque da Catacumba e do Morro dos Cabrito e não atingiram as áreas de vegetação mais densa.(Leia Mais)

Terça, 22 de Junho de 2010 às 06:36, por: CdB

O incêndio que se alastrou pelo Parque da Catacumba e pelo Morro dos Cabritos de sábado para domingo atingiu 20 hectares de costão rochoso, o equivalente a 20 campos de futebol, como constatado nesta segunda-feira em vistorias de equipes da Secretaria municipal do Meio Ambiente. A área é cinco vezes maior do que fora divulgado domingo pelo prefeito Eduardo Paes. No entanto, o impacto do incêndio no ecossistema da região foi menor do que o imaginado, já que as chamas varreram apenas as partes rochosas do Parque da Catacumba e do Morro dos Cabrito e não atingiram as áreas de vegetação mais densa. Apenas alguns fragmentos de Mata Atlântica e a copa das árvores em alguns trechos foram queimados.

"Depois das vistorias realizadas, constatou-se que o resultado do incêndio, embora visualmente tenha sido impactante, foi muito menor do que as proporções imaginadas. Não foram atingidas as matas do parque nem da área onde estamos promovendo um trabalho de reflorestamento. Foi atingida a vegetação do costão rochoso, como cactos, bromélias e gramíneas", disse o secretário municipal de Meio Ambiente, Carlos Alberto Muniz.

Muniz descartou a necessidade de reflorestamento emergencial nas áreas atingidas pelo fogo, como fora prometido pelo prefeito. Para chegar aos locais afetados, só com a ajuda de alpinistas.

A polícia trabalha com a hipótese de que um balão teria iniciado a queimada. Por isso, o Disque-Denúncia (2253-1177) aumentou para R$ 2 mil a recompensa por informações sobre fábricas, vendas e soltura de balões. O valor variava de R$ 300 a R$ 1 mil.

A recuperação natural da vegetação do costão, no entanto, deve levar de dois a cinco anos, analisam técnicos do Meio Ambiente. Na manhã desta segunda-feira, uma equipe da secretaria sobrevoou a área para avaliar os estragos. Coordenador de Recuperação Ambiental do órgão, Marcelo Hudson explica que o fogo desceu como uma chuva para as áreas mais baixas do Morro dos Cabritos, queimando as partes altas das árvores.

Ele afirma que as áreas queimadas não são suscetíveis a incêndios. Entre as árvores dos poucos trechos de floresta incendiados, o engenheiro florestal Rômulo Madeira, da equipe de Recuperação Ambiental da secretaria, diz que há figueiras e palmeiras. "Houve um dano bastante grande, mas a vegetação se regenerá por ela mesma", afirmou o engenheiro florestal, prevendo um período de dois a três anos para a recuperação.

O engenheiro esteve na Rua Vitória Régia, na Fonte da Saudade, para ver de perto os danos à Mata Atlântica. Pelo que foi visto até o momento por especialistas, o mais provável é que um balão tenha mesmo iniciado o incêndio.

A delegada Juliana Emerique, da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), disse que até o fim da tarde desta segunda-feira apenas uma denúncia havia sido recebida: a de que o balão responsável pela queimada na Zona Sul fora solto na Zona Oeste. Moradores entregaram à delegada cinzas encontradas nas proximidades do Morro dos Cabritos que podem ser do artefato e serão periciadas.

Desde domingo, equipes da DPMA tentam recolher provas e depoimentos sobre o crime. A delegada espera receber outras informações do Dique-Denúncia, além de fotos e imagens feitas pela vizinhança de balões na região na noite de sábado. Por enquanto, só há fotos da queimada.

"Hoje (segunda-feira) foi recolhido daquela região material para ser submetido à perícia. São fuligens, cinzas, em pouca quantidade. Mas já é um início para que a gente possa ter a confirmação da existência do balão. Estamos pedindo imagens do momento em que ele caiu ou mesmo de antes para podermos identificar o grupo que o confeccionou", diz a delegada.

Nos próximos dias deve ser promovida também uma perícia na região devastada. "Vai ser feita uma perícia no local para tentarmos encontrar resquícios, vestígios do balão". conta a delegada, que ouviu testemunhas dizerem que as chamas foram realmente provocadas por um balão.

Não se sabe ainda onde exatamente o incêndio começou. A primeira chamada recebida pelo Corpo dos Bombeiros foi às 22h40m, sobre focos no Morro dos Cabritos, próximo à Rua Sacopã. O coronel Jadyr de São Sabbas Silva, assessor-chefe da Comunicação Social da corporação, diz que 55 soldados trabalharam no combate ao fogo e que dois helicópteros foram usados. Foi preciso usar água de piscinas e da Lagoa para apagar as chamas.

Pela o comandante do quartel do Humaitá, coronel Ronaldo de Alcântara, fez um voo de helicóptero sobre a região para checar se ainda havia algum foco de incêndio. Nenhum foi visto.

Moradores ainda contam assustados as cenas da madrugada de sábado, comparadas às de um vulcão. Moradora da Rua Vitória Régia, a administradora de imóveis Roseli de Sá Sabino viu o fogo chegar, na madrugada de domingo, bem perto de sua casa. De acordo com ela, a residência só não pegou fogo porque as chamas pararam num muro de contenção construído nos fundos. A vegetação de um terreno ao lado foi totalmente destruída.
 
A Associação de Moradores da Fonte da Saudade (AmoFonte) organiza uma passeata, no próximo sábado, pela preservação dos parques da Catacumba e José Guilherme Merquior. A concentração será às 20h, no Baixo Bebê da Lagoa. Em maio, a AmoFonte ingressou com ação civil pública na Justiça contra a prefeitura, para que cercasse e cuidasse do Parque José Guilherme Merquior. O presidente da Sociedade Amigos Copacabana, Horácio Magalhães, diz apoiar o protesto.

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