Analistas de instituições financeiras consultados semanalmente pelo Banco Central (BC) esperam por elevação de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros
A inadimplência no mercado de crédito brasileiro no segmento de recursos livres cedeu ligeiramente em agosto ao mesmo tempo em que houve estabilidade do spread, mas os juros mostraram alta em um contexto de elevação da taxa Selic para o controle da inflação. De acordo com dados apresentados pelo Banco Central nesta sexta-feira, a inadimplência no mercado de crédito brasileiro no segmento de recursos livres ficou em 5,1% em agosto, menor em relação a julho, quando havia sido de 5,2%.
Considerando os recursos totais no mercado de crédito brasileiro, incluindo também os recursos direcionados, a inadimplência ficou estável em agosto ante julho, a 3,3%. No período, o spread bancário foi de 17,7 pontos percentuais também no segmento de recursos livres, inalterado ante julho. No crédito total, o spread ficou em 11,3 pontos percentuais, abaixo dos 11,4 pontos percentuais verificado em julho.
O BC informou ainda que o estoque total de crédito no Brasil subiu 1,3% em agosto ante julho, chegando a R$ 2,578 trilhões, ou 55,5% do Produto Interno Bruto (PIB). A taxa média de juros no segmento de recursos livres fechou agosto em 28,0%, superior aos 27,5% em julho. No crédito total, os juros ficaram em 19,3% no mês passado, maior que os 19,1% apurados no mês anterior.
Os indicadores de crédito seguem influenciados pela alta dos juros básicos, iniciada pelo Banco Central em abril para controlar a escalada da inflação. Em mais uma etapa desse aperto, em 28 de agosto o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC elevou em 0,50 ponto percentual a taxa Selic, para 9% ao ano, indicando que deve manter o atual ritmo de aperto monetário para domar a alta dos preços.
Varejo em alta
Além da queda na inadimplência e de um novo fôlego na indústria, o varejo também passa a emitir sinais positivos para a alta no Produto Interno Bruto (PIB). As vendas do setor de supermercados apresentaram alta de 0,9% em agosto, em relação ao mês anterior e de 10,70% em comparação ao mesmo mês do ano passado. A informação foi divulgada pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), que reúne mais de 84 mil lojas em todo o país. Entre janeiro e agosto deste ano, as vendas do setor cresceram 4,95% em comparação ao mesmo período do ano passado.
Segundo João Sanzovo Neto, vice-presidente da Abras, o aumento das vendas em agosto se deve, em parte, ao fato de o mês ter tido cinco sábados.
– Tivemos um mês com 31 dias de vendas e cinco sábados. E o sábado tem uma participação importante no movimento – disse a jornalistas, na véspera.
Outro fator que ajudou no crescimento das vendas foi o cenário macroeconômico. “Teve aumento do emprego, mais oportunidades de emprego sendo criadas, o desemprego caindo e isso implica mais renda no bolso do trabalhador. E também teve o arrefecimento da inflação, o que significa mais poder de compra”, destacou.
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