22 de dezembro de 1997. Um grupo de 90 paramilitares fortemente armados ataca 45 indígenas tsotsiles da organização Las Abejas, em Acteal, município de Chenalhó, estado de Chiapas, no México. Totalmente desarmados, em jornada de jejum e oração na capela da localidade, os atacados não tiveram como reagir. O fato resultou na morte de 18 mulheres adultas, cinco delas grávidas; sete homens; 20 crianças e adolescentes. Outras 26 pessoas ficaram feridas, muitas com sequelas que as acompanharão por toda a vida.
Há dois anos, em agosto de 2009, nova injustiça se comprova com a liberação, pela Suprema Corte de Justiça do México, de 20 paramilitares autores materiais do massacre. Até agora, 24 criminosos foram postos em liberdade.
Para repudiar a impunidade, a Organização Las Abejas convoca a todos para a "Jornada de Ação pela Justiça e a Verdade: de Injustiça da Nação, nossa memória vida, luta contra a impunidade”, que ocorrerá no dia 12 de agosto de 2011, em Acteal.
"Convidamos a todas as organizações solidárias a somar-se a esta Jornada e realizar atos simultâneos em seus lugares de origem, exigindo castigo aos responsáveis materiais e intelectuais, assim como justiça por este crime de lesa humanidade”, declaram.
Na programação da jornada, consta concentração na localidade de Majomut, município de Chenalhó, para iniciar peregrinação até Acteal, às 10h. Já às 11h, haverá entrevista coletiva concedida pela organização Las Abejas de Acteal e Centro de Direitos Humanos "Fray Bartolomé de Las Casas”.
Covardia
Os indígenas massacrados estavam refugiados na comunidade de Acteal para fugir dos constantes ataques de grupos armados. Suas casas e plantações haviam sido queimadas, e seus pertences roubados.
Para a organização Las Abejas, o fato de haver um posto de operações mistas (com policiais, funcionários jurídicos e de segurança pública) a 200 metros do local do massacre reforça mais ainda a versão de que o Estado mexicano é culpado pelo caso.
Além dos paramilitares, Las Abejas acusa como culpados pelo massacre o governo federal, à época liderado pelo presidente Ernesto Zedillo, e o secretário de Governo, Emilio Chuayffet. Dias depois do ocorrido, Chuayffet renunciou ao cargo, assim como o fez o governador de Chiapas, Julio César Ruiz Ferro. Também o prefeito de Chenalhó é suspeito de ter conseguido as armas usadas nos assassinatos. Apesar das evidências, nenhum funcionário do alto escalão do governo foi investigado.