Rio de Janeiro, 19 de Setembro de 2026

Impunidade impede paz no Oriente Médio, diz relator da ONU

A impunidade pelos crimes de guerra cometidos no Oriente Médio atingiu um "ponto de crise", afetando a perspectiva de paz na região, disse nesta terça-feira o relator especial de direitos humanos da ONU, Richard Goldstone.(Leia Mais)

Terça, 29 de Setembro de 2009 às 07:37, por: CdB

A impunidade pelos crimes de guerra cometidos no Oriente Médio atingiu um "ponto de crise", afetando a perspectiva de paz na região, disse nesta terça-feira o relator especial de direitos humanos da ONU, Richard Goldstone.

Depois de realizar um inquérito sobre a guerra da Faixa de Gaza, Goldstone pediu às autoridades de Israel e do Hamas que realizem investigações transparentes e confiáveis a respeito de atrocidades ocorridas no conflito de dezembro e janeiro últimos.

– Uma cultura de impunidade na região tem existido há tempo demais – disse Goldstone ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra.

– A falta de responsabilização por crimes de guerra e possíveis crimes de guerra contra a humanidade atingiu um ponto de crise; a corrente falta de justiça está afetando qualquer esperança de um processo de paz bem sucedido e reforçando um ambiente que fomenta a violência – completou.

Israel diz que lançou a ofensiva militar em dezembro para impedir que militantes islâmicos disparassem foguetes contra seu território. Mas o grupo israelense de direitos humanos B'Tselem diz que 773 dos 1.387 palestinos mortos no conflito eram civis. O governo de Israel diz que foram mortos 709 combatentes e 295 civis. Do lado israelense, foram mortos dez militares e três civis.

Goldstone pediu que o Conselho, que reúne 47 países, adote o seu recente relatório, segundo o qual o Exército israelense e militantes palestinos cometeram crimes de guerra e possivelmente crimes contra a humanidade. A adoção do relatório implicaria que o caso seja submetido ao Conselho de Segurança da ONU, que poderia tomar providências.

O sul-africano Goldstone admitiu que a comissão de inquérito que ele chefiou, com quatro integrantes, sofreu uma "avalanche de críticas" por causa de suas conclusões, mas rejeitou a ideia de que houve motivação política no seu trabalho.

De acordo com ele, é importante também não imputar culpas coletivas.

– O povo da região não deve ser demonizado – afirmou.

As delegações israelense e palestina devem se pronunciar no Conselho em Genebra, que debate durante todo o dia o relatório de Goldstone, antes de considerar resoluções a serem tomadas, ainda nesta semana.

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