O primeiro-ministro da Dinamarca pediu nesta sexta-feira, no Fórum Econômico Mundial, que países ricos e pobres se comprometam a fazer grandes cortes nas emissões de gases-estufa, num momento em que seu país se prepara para ser palco, no fim do ano, de importantes negociações para um novo tratado sobre o clima.
As esperanças de que um acordo seja possível aumentaram desde a posse do novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, considerado "verde" por muitos. Empresários mostram-se cada vez mais otimistas sobre as oportunidades lançadas pela mudança climática.
- É essencial comprometer chefes de Estado e governos em todo o processo, a fim de garantir um resultado positivo em Copenhague - disse o presidente Anders Fogh Rasmussen no encontro anual em Davos, Suíça.
Líderes empresariais reunidos na estação de esqui suíça esta semana pediram que governos criem um ambiente de segurança sobre a questão climática, para que possam planejar o futuro.
- O que escuto os líderes empresariais dizerem aqui em Davos é: Queremos clareza dos governos sobre aonde querem ir com a mudança climática. Precisamos de uma perspectiva clara de investimento - disse a principal autoridade da Organização das Nações Unidas para o clima, Yvo de Boer, à Reuters.
Em uma declaração divulgada na quinta-feira, o fórum disse que é preciso mais do que triplicar o investimento anual de 515 bilhões de dólares em energia limpa a fim de evitar que as emissões que provocam o aquecimento do planeta atinjam os níveis considerados insustentáveis pelos cientistas.
Essa mudança no ambiente dos negócios criaria oportunidades para as empresas, disse o diretor-executivo da Shell, Jeroen van der Veer.
- Essa é a melhor oportunidade que a Shell poderia ter, porque dizemos que somos bons em tecnologia, temos uma mentalidade internacional, podemos investir nisso e sabemos algo sobre isso - afirmou ele.
Volta ao carvão?
Algumas pessoas, no entanto, alertam que a tentação seria mudar para combustíveis baratos e poluentes, em especial o carvão, em tempos de restrição econômica, o que aumentaria o risco de anular os efeitos de um uso mais baixo de energia industrial.
- São más notícias no longo prazo. Muitos projetos (para energia) renovável, nuclear e eficiente estão sendo adiados - disse Fatih Birol, economista-chefe da Agência Internacional de Energia, consultora de 28 países industrializados.
- O impacto no longo prazo é que as emissões aumentarão se os governos não fizerem alguma coisa - disse ele à Reuters.
O comissário europeu para o setor de energia, Andris Piebalgs, concordou que a recessão potencialmente tornou mais difícil avançar com os ambiciosos planos ambientais da União Européia, e poderia complicar o processo de se chegar a um acordo em Copenhague este ano.
Ele disse, entretanto, que os acontecimentos deste mês - incluindo a posse de Obama nos EUA - o fizeram mais otimista.
Esta semana, a Comissão Européia também anunciou o financiamento da captura e armazenamento de carbono.
- Estou otimista com o que ouvi dos líderes. Há uma nova chance para o crescimento verde. É importante ver o lado positivo das coisas - disse ele à Reuters.
Rasmussen afirmou que os líderes mundiais devem chegar a um acordo sobre uma meta de longo prazo na redução das emissões de dióxido de carbono em 50% até 2050. Os países industrializados deverão reduzir em 80%.
Até 2020 - data mais relevante aos ciclos políticos - o mundo rico deveria cortar em 30% os níveis de 1990 e os países em desenvolvimento, entre 15 e 30% dos índices atuais, disse ele.
Os principais países industrializados concordaram em uma cúpula do G8 no Japão, em julho, com uma "perspectiva" de cortar as emissões mundiais dos gases-estufa em 50% até 2050. A União Européia quer que todos os países desenvolvidos reduzam os gases-estufa entre 25 e 40% até 2020.