A concorrência no setor de transporte de cargas, que faz com que os caminhoneiros dirijam com imprudência e usem estimulantes, às vezes ilegais, é a causa principal de acidentes com caminhões nas estradas.
— É uma falta de conscientização do próprio condutor, se submetendo a essas medicações para se manter acordado. Ele está se expondo a um risco demasiadamente elevado. Pela falta de conhecimento disso, ele acaba realizando esse tipo de ação e pode se envolver em acidentes graves como o de Santa Catarina —.
O comentário foi feito pelo chefe da Divisão de Fiscalização de Trânsito, da Polícia Rodoviária Federal, inspetor Coracy Vieira, ao analisar os dois acidentes sucessivos na BR-282, em Santa Catarina, que mataram 27 pessoas e deixaram mais de 80 feridos, na noite de terça-feira. As colisões envolveram dois caminhões, um ônibus, vários carros, além das pessoas que prestavam socorro às vítimas.
Segundo Vieira, a fiscalização dos caminhoneiros é feita “muito em cima do comportamento". Em uma abordagem, o policial se preocupa em saber quais as condições do condutor, levantando se ele está em boas condições de reflexo, por exemplo.
— São elaboradas perguntas ao condutor que, dependendo da resposta, o policial lança um nível de suspeita ou não. Isso pode induzir a outras atitudes, até mesmo o encaminhamento para que seja realizado algum exame alguma coisa desse tipo —.
Ele também disse que, se o policial rodoviário federal desconfiar que o motorista usou substâncias ilegais, pode fazer uma vistoria do caminhão. — Se o uso da medicação for detectado é feito um recolhimento desse material e elaborada uma ocorrência relativa ao fato — ele acrescenta.