O Teatro Odisséia, na Lapa, ficou lotado durante a escolha do samba do bloco Imprensa que Eu Gamo, que só acabou por volta das três horas da madrugada desta terça-feira. O time de 12 compositores, bicampeão, venceu pela segunda vez consecutiva os concorrentes, desta vez com o samba Na Tropa do Imprensa, Ninguém Pede Para Sair. “O samba caiu no gosto popular e já está sendo conhecido pelo nome de Bofe de Elite, uma brincadeira com o filme Tropa de Elite”, disse Daniel Pereira, um dos autores.
Sobre a polêmica em torno do tom da letra, que alguns consideram demasiadamente crítico, Daniel Pereira disse que a idéia é mesmo “chocar a sociedade”.
– Acho que os blocos precisam parar de caretice. Tem que ter irreverência. Por isso, um senador é chamado de 171, a ex-amante dele assume o posto de ‘leiteira da Playboy’ e o presidente Lula é o ‘vaiado’ do Maracanã, explicou.
A letra do samba vencedor também fala de algumas das principais manchetes dos veículos de comunicação de 2007 e do início deste ano: a crise da Mangueira, o leite adulterado, a legalização da maconha, o caos aéreo.
Também faz referência a São Sebastião, comemorado em 20 de janeiro, neste domingo, quando o Imprensa que Eu Gamo desfilará pelas ruas de Laranjeiras. A concentração se inicia às 15 horas, no Mercadinho São José.
Um dos compositores da equipe bicampeã, João Cavalcanti, é cantor e percussionista do conjunto Casuarina, além de formado em Jornalismo pela PUC. Os outros são Daniel Pereira, Cláudio Souza, Catharina Epprecht, Karla Rúbia, Bruno Postiga, Anabelly Pontes, Eduardo Aveiro, Alberto Monteiro, Carolina Bellei, Renata Victal e Márcio Mará.
É a seguinte a letra do samba que os jornalistas cantarão nas ruas de Laranjeiras no dia 20:
"Na tropa do imprensa, ninguém pede para sair/Me acode São Sebastião/Que este bofe anda muito truculento/Hoje eu faço procissão/É Zé Pereira no lugar do Nascimento
Esse negócio de apertar o "zero um"/Virou um vício, deu manchete de jornal/Mas hoje a minha tropa é de bebum/E o Imprensa anuncia o carnaval
Minha cidade ainda é maravilhosa/Tá cheio de avião/Relaxa e goza /
Meu capitão é um “vaiado” /E o Chavinho não quer mais ficar calado
Ô, seu Renan, pára de papo/171 a gente manda para o saco/Sacudiram minha Mangueira
E o leitinho já saiu adulterado/Mas na playboy apareceu uma leiteira/E me disseram que ela veio do senado
Imprensa que eu gamo, A caveira é uma flor Refrão
Aspira meu cangote... amor/