Rio de Janeiro, 11 de Setembro de 2026

Imprensa internacional sai do óbvio e ignora tríade

Quarta, 17 de Março de 2004 às 08:59, por: CdB

O admirável filme de Jorge Furtado, O Homem Que Copiava, obteve o reconhecimento mais do que merecido da ACIE - Associação dos Correspondentes da Imprensa Estrangeira do Brasil. A produção ganhou o Prêmio ACIE de Cinema e deixou para trás grandes obras do cacife de Carandiru e Amarelo Manga. Parece óbvio, agora mais do que nunca, que a escolha para o representante a filme estrangeiro no Oscar deveria mesmo ser O Homem Que Copiava, e não Carandiru. Nada contra o filme de Babenco, (que é um brilhante desfecho ao mundo do banditismo criado em tom ficcional, mas com toques documentais, inaugurado em Pixote), mas O Homem Que Copiava é uma boa alternativa para fugir da tríade miséria-violência-baseado em fatos reais, que assola o filme brasileiro no mercado norte-americano.
 
Para constatação: últimos sucessos brasileiros em terras ianques: Carandiru, Cidade de Deus, Ônibus 174. Parece que só têm demanda filmes que englobam a tríade, ou pior, que a visão do Brasil e de seu cinema possa ser reduzida a isso. Apesar do filme de Furtado ser violento, a violência é tratada de forma secundária, sendo inclusive veículo para que seja exercitada a multifacetada estética da fita. Exemplos não faltam: o momento da morte do rapaz que cai sobre estacas de madeira, bem representada através de animação, faz com que o espectador fique imune à crueldade da cena sendo rapidamente remetido a uma nova seqüência (a rapidez da montagem e a narração em off foram recursos sabiamente usados por Furtado para dar agilidade à história e evitar momentos longos de constatação no espectador). O oposto pode se observar em O Homem do Ano, de José Henrique Fonseca, que ganhou o prêmio de melhor roteiro. Gratuidade e seqüências unidirecionais, que levam o espectador a um óbvio e chato beco sem saída: uma retratação pálida e caricatural de uma vontade de se fazer filmes plasticamente sofisticados mas textualmente falhos (e aí inclui-se dramaturgia, iluminação das cenas, figurino, diálogos, etc).      
 
O falso óbvio: a imprensa estrangeira no Brasil sabe o que é bom e tem uma visão mais ampla do que os distribuidores americanos, que apostam na tríade e fecham boas portas para o (bom) filme brasileiro.               

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