Na mídia internacional, o tema de maior ênfase não é mais a crise econômica global, é a revolta que se alastra nos países árabes. A bola da vez dos últimos três dias é a Líbia, e a próxima, tudo indica, o Marrocos. Na Líbia, a repressão (e confrontos governistas x oposicionistas) aos protestos contra os 41 anos de ditadura Muamar Kadhafi já deixaram mais de 20 mortos.
Agora é a oposição política e islâmica, as ONGs, os grupos de esquerda e os sindicatos destes países árabes que se engajam na luta e organizam grandes manifestações. Assim, apesar da repressão, crescem os protestos na Líbia e continuam no Iêmen. No Bahrein a situacao também se agrava.
O fato é que a repressão é vista como a única saída pelos regimes - a maioria ditaduras - nestes países. Como em todos, não poderia ser diferente, também, no Bahrein. Neste caso, a grave crise política e a repressão expõem as grandes potências já que o pais abriga a VI frota norte-americana e serve de base de observação e operações contra o Irã.
EUA e Grã-Bretanha vivem constrangimento
Por isto, tanto os Estados Unidos, quanto a Grã-Bretanha são submetidos ao constrangimento público já que venderam e forneceram fartamente as armas, inclusive aviões, helicópteros e tanques usados na repressão no Bahrein e na maioria dos países da região.
A repercussão na Inglaterra, por exemplo, é a pior possível. A opinião pública protesta pela cinismo e hipocrisia de suas autoridades e governantes. A doutrina Obama, na prática, naufraga com a repressão como a desencadeada ontem na capital do Bahrein, Manama.
É que ao invés de reformas - como prega não muito claramente esta doutrina - o que o regime do Bahrein fez foi reprimir violentamente as manifestações ocupando a praça principal da capital, La Perla. Dentro de sua lógica, o regime de força vigente no país, assim agiu em pânico e com truculência, antes que fosse tarde e ele tivesse o mesmo destino que os regimes da Tunísia e do Egito.
Numa demonstração de que não ficará pedra sobre pedra inerte no Oriente Médio, mesmo na Palestina começa a pressão das forças sociais. Querem que seus dirigentes se unam e ponham fim a divisão que inviabiliza a luta pela independência e soberania de seu povo. Tudo indica que a revolta está apenas começando.
Imprensa: foco é a crise árabe que se alastra
Sexta, 18 de Fevereiro de 2011 às 09:00, por: CdB