Rio de Janeiro, 09 de Agosto de 2026

Impossível previsão sobre o futuro libio

Sexta, 25 de Fevereiro de 2011 às 06:00, por: CdB

Não há uma previsão segura sobre o que ocorrerá nos próximos dias, ou horas, na Líbia. Dentre os vários países conflagrados na área, ela é o que agora vive situação de crise política e conflito mais agudo com a revolta popular que se alastrou por praticamente todo o mundo árabe.

O país tem situação especial e ali a rebelião popular se desenvolve de forma diferente dos outros países, particularmente do Egito e da Tunísia, onde caíram os primeiros ditadores frente à pressão popular. Tudo indica que a revolta na Líbia se desdobrou num "racha", numa divisão interna das Forças Armadas, e na distribuição de armas leves a população rebelde.

Há, por isso, riscos seríssimos de uma guerra civil. Militares que se opõem ao ditador Muamar Khaddafi já falam em atacar Trípoli desde o Leste do país, região que faz fronteira com o Egito. Cidades e regiões inteiras do país já estão sob poder dos rebeldes, que avançam nessas conquistas.

Tudo pode acontecer


Como a Líbia ainda vive apoiada numa unidade nacional frágil e contraditória, já que, apesar de todo o país ser árabe, inúmeras tribos subsistem e exercem de fato o poder em suas fronteiras culturais e étnicas, algumas apoiando Khaddafi e outras os rebeldes, o país pode tanto se desagregar como viver um período de instabilidade e, até mesmo o que eu disse, de guerra civil.

Diante da constatação de que a oposição libia não tem força e, tudo indica, Khaddafi tem mais do que ela, não há uma previsão segura do que ocorrerá. A não ser que um golpe militar o derrube e instale um governo provisório para negociar uma transição. Mas, golpe de qual facção se as Forças Armadas estão divididas?

Tampouco se pode descartar a hipótese de uma vitória parcial e limitada de Khaddafi, que ainda conta com apoio militar e tribal considerável. É isto que explica a ânsia descarada dos norte-americanos de organizar uma intervenção na Líbia, procurando legitimar essa pretensão com a manipulação do noticiário (Leiam o Destaque no alto do blog).


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