Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Imperialismo dos EUA é principal alvo do Fórum Social Mundial

Sábado, 17 de Janeiro de 2004 às 08:24, por: CdB

O Fórum Social Mundial (FSM) começou oficialmente nesta sexta-feira com uma abertura marcada por duras críticas ao que foi chamado de projeto imperialista americano e suas políticas neoliberais impostas ao mundo. Na mira dos nove oradores que falaram na cerimônia, a política internacional dos Estados Unidos foi responsabilizada tanto pela perda de milhares de vidas em países como o Afeganistão, o Iraque e a Palestina quanto pelo aumento da miséria, da iniqüidade e de violações de direitos humanos nos países em desenvolvimento, ponto que foi abordado com grande veemência principalmente pela advogada iraniana Shireen Ebadi, Premio Nobel da Paz de 2003. Ao mesmo tempo, o FSM foi considerado a principal força de oposição ao "imperialismo neoliberal" por ter se popularizado no mundo todo e por reunir um número cada vez maior de atores sociais capazes de se fortalecer mutuamente e de desafiar os "interesses do império".

Na maioria das falas, os principais destaques foram a situação da Palestina e do Iraque. Para Mustafa Barghouti, uma das principais lideranças sociais da Palestina, o poder militar de países como os EUA e Israel está se sobrepondo às instituições democráticas, controlando inclusive a mídia e a opinião pública mundial. "O muro da vergonha (que pretende separar os territórios palestinos e israelenses) projetado pelo governo de Israel significa morte certeira para o povo palestino. 70% dos palestinos já vivem abaixo da linha de pobreza. Não resistir à ocupação é como pedir a uma mulher que não grite ao ser estuprada".Ao apelar para a solidariedade dos participantes do FSM, Barghouti lembrou as lutas de independência da Índia e contra o Apartheid sul-africano. "Não há lugar para neutralidade", afirmou.

O iraquiano Amir Al Rekabi, do Movimento Pró-democracia do Iraque, e o ex-primeiro ministro da Índia Inder Kumar Gujral adotaram um tom parecido. Segundo Rekabi, a solidariedade intencional é fundamental para os iraquianos na luta por soberania e contra a ocupação americana que, segundo ele, colocou o país à venda para as grandes corporações multinacionais. Já Gujral, que enviou uma carta ao FSM, afirmou rejeitar a idéia de que não haja alternativa ao imperialismo neoliberal e que "os ventos da mudança, que se levantaram nas terras longínquas de Porto Alegre, atravessaram dois continentes e vieram soprar nas nossas costas. Esta é a ocasião de celebrarmos a nossa solidariedade".

Eleita anos atrás uma das oito mulheres mais belas do mundo pela revista People, a escritora Arundathi Roy fez o discurso mais duro contra os EUA. Ligada aos movimentos mais radicais na Índia, a escritora afirmou que, para a política americana, pobres e terroristas foram igualados e hoje recebem o mesmo tratamento. Segundo ela, o imperialismo americano se constrói tanto como força de polícia mundial, com o uso do poder e das armas, quanto de poder econômico, por meio da força das grandes corporações multinacionais e da imposição do modelo econômico neoliberal no mundo. - Não existe um país no planeta que não esteja na rota dos mísseis americanos. Mas o novo genocídio hoje é feito, sobretudo, pelo poder econômico. Debater Imperialismo é como debater prós e contras do estupro - afirmou Roy, e concluiu: "o novo projeto americano quer iniqüidade e injustiça. Nós queremos justiça. Assim, consideremo-nos em guerra".
 

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