Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Impasse sobre recursos divide nações em Copenhague

Sexta, 11 de Dezembro de 2009 às 08:53, por: CdB

O financiamento de ações de combate às mudanças climáticas em países em desenvolvimento é uma das principais lacunas do rascunho de acordo apresentado na manhã desta sexta-feira em Copenhague.

Além da queda-de-braço entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, mesmo entre países ricos não há acordo sobre o volume de recursos que devem ser destinados aos países mais pobres.

O dinheiro, reunido em um fundo, seria usado pelas nações em desenvolvimento em projetos para lidar com a mudança do clima.

Um dos principais focos de decisão desse ponto polêmico está em Bruxelas, onde acontece uma reunião de cúpula da União Europeia. Na capital belga, negociadores passaram a madrugada tentando chegar a um valor a ser apresentado em Copenhague, mas ainda não houve acordo. Uma decisão é esperada para esta sexta-feira.

Líderes europeus querem oferecer cerca de US$ 9 bilhões nos próximos três anos, mas encontram dificuldades para convencer representantes dos países mais pobres do bloco de 27 integrantes.

Por enquanto, apenas a Grã-Bretanha ofereceu cerca de US$ 1,2 bilhão e a Suécia, que atualmente ocupa a Presidência rotativa do bloco, US$ 1,1 bilhão. Já a Holanda quer repassar US$ 4,4 milhões e a Dinamarca, pouco mais de US$ 2 milhões.

Os países em desenvolvimento exigem valores entre US$ 100 bilhões e US$ 200 bilhões por ano – mas até o momento a discussão gira em torno de um fundo inicial de US$ 10 bilhões nos próximos três anos.

Países importantes da UE, como Alemanha e França, ainda não apresentaram propostas conclusivas.

Na semana que vem, as negociações em Copenhague passam a um nível mais político com a chegada dos ministros de Estado.

O Brasil e outros países já afirmaram que “sem dinheiro, não há acordo”, portanto, a decisão da União Europeia a ser anunciada nesta sexta-feira será fundamental para as negociações em Copenhague.

Os Estados Unidos também não anunciaram ainda a quantia que pretendem oferecer ao fundo para os países em desenvolvimento.

– Todos os países desenvolvidos estão com dificuldades em colocar na mesa não apenas números claros, mas também mecanismos para financiamentos de longo prazo –, disse o negociador-chefe do Brasil na reunião do clima da ONU em Copenhague, Luiz Alberto Figueiredo Machado, que também é vice-presidente do grupo de trabalho que prepara um texto para um novo acordo pós-Kyoto.

O negociador-chefe do Brasil destacou a Noruega como única exceção por já ter proposto um número claro para o financiamento.

A reunião da ONU sobre o clima termina no dia 18 de dezembro, após a participação de líderes de cerca de 110 dos 192 países que participam do encontro.

Entre os chefes de governo que confirmaram presença estão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os presidentes americano, Barack Obama, e francês, Nicolas Sarkozy.

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