A telefonia móvel está se tornando uma grande equalizadora entre os “que tem e os que não tem” no mundo, de acordo com palestras feitas durante a conferência CTIA Wireless 2010 realizada em Las Vegas (EUA).
Um dos pioneiros da telefonia móvel, John Stanton, deu à sua audiência um dos mais dramáticos exemplos do uso de tecnologia sem fio quando mostrou um vídeo que descrevia como telefones celulares salvaram vidas após os terremotos de 12 de janeiro no Haiti. Stanton é diretor da Trilogy International Partners, proprietária da Voila, uma das três operadoras de telefonia móvel no Haiti. Ele falou de suas raízes na inovadora McCaw Cellular na década de 1980.
Em entrevista, Stanton disse que para ressaltar o valor de celulares em países pobres como o Haiti, onde as linhas fixas são limitadas, é preciso destacar sua utilidade em serviços bancários e no comércio eletrônico, assim como para comunicações de emergência. Alguns trabalhadores haitianos atualmente usam celulares como carteiras – as despesas são pagas com créditos móveis que depois são convertidos em dinheiro. Milhares de haitianos também oferecem seus celulares para outros fazerem ligações cobrando uma taxa, disse Stanton.
Outras palestras da CTIA mostraram exemplos de como tecnologias móveis são usadas pelo mundo. O cofundador do Twitter, Biz Stone, ofereceu diversos exemplos de como o Twitter é utilizado para organizar protestos.
“Não tínhamos ideia de que o Twitter se tornaria tão usado. Frequentemente protestos são organizados por meio dele. Deixar as pessoas se comunicarem abertamente pode ter uma profunda influência... se você tiver noção de si mesmo como um cidadão global.”
Já Aneesh Chopra, CTO do governo dos Estados Unidos, falou sobre como a tecnologia de celulares pode transformar a vida das pessoas carentes em qualquer lugar do mundo.
Chopra descreveu um programa “Text4Baby” feito pela Casa Branca em fevereiro que ajuda mulheres grávidas a conseguirem dicas de saúde e de alimentação diversas vezes durante a semana. Ele elogiou as operadoras móveis dos Estados Unidos, que não cobram taxas por essas mensagens de texto. “Já temos mais de 25 mil mães registradas. Essa é uma iniciativa bastante inovadora.”