Rio de Janeiro, 30 de Outubro de 2026

Impacto econômico do tremor na China será moderado

O impacto do terremoto na província de Sichuan (sudoeste da China) na política macroeconômica chinesa será moderado, diz um estudo da União Européia (UE), com os analistas prevendo que o abalo não vai desacelerar a economia. (Leia mais)

Sábado, 17 de Maio de 2008 às 08:21, por: CdB

O impacto do terremoto na província de Sichuan (sudoeste da China) na política macroeconômica chinesa será moderado, diz um estudo da União Européia (UE), com os analistas prevendo que o abalo não vai desacelerar a economia.

Apesar do balanço catastrófico de vítimas, feridos e destroços, "na globalidade, o sismo não deverá ter um impacto significativo nas políticas macroeconômicas do país", diz o texto divulgado.

Segundo dados oficiais, o tremor, que devastou a província de Sichuan, atingiu uma magnitude de 7,9 graus na escala Richter, matou mais de 50 mil pessoas e deixou 4,8 milhões de pessoas sem casa.

De acordo com o relatório da representação diplomática da Comissão Européia (braço executivo da UE) na China, o terremoto pode piorar a inflação no curto prazo, mas não é de esperar um aumento das taxas de juros devido à necessidade de financiamento do esforço de construção.

Efeitos

A abalo sísmico pode levar o governo chinês a tomar medidas macroeconômicas mais rigorosas e diminuir o controle governamental sobre os empréstimos bancários, afirma o estudo.

– O sismo terá pouca influência no arrefecimento do crescimento econômico do país – o vice-diretor da Faculdade de Economia da Universidade de Qinghua, Hua Ru Xing.

Segundo o especialista, "as riquezas pessoais serão mais prejudicadas devido ao esforço de investimento na construção depois do sismo".

Hua previu também uma alta dos preços dos alimentos nas regiões afetadas, mas afirmou que "isso até beneficia os camponeses".

Inflação

O terremoto pode aumentar a pressão inflacionária, disse o economista Sun Mingchun, da casa de investimentos Lehman Brothers, ao jornal oficial China Daily. Para o especialista, a destruição reduzirá a oferta de arroz, impulsionando o preço da mercadoria, base da alimentação chinesa.

A análise da Comissão Européia aponta conclusões semelhantes e afirma que as conseqüências do tremor podem afetar principalmente a agricultura e a produção de energia.

Sichuan produz grandes quantidades de arroz e de carne de porco. Se a interrupção nos transportes e expedição de mercadorias persistirem, a oferta dos dois produtos pode diminuir, causando o aumento do preço dos alimentos no país.

Por outro lado, a província de Sichuan tem 40% das reservas de gás natural e produz 22% do gás natural do China.

Todos os gasodutos e instalações de tratamento na região foram fechados depois do terremoto como medida de segurança, podendo provocar cortes de energia e atrasos na distribuição da produção, agravando a carência energética chinesa.

Impactos

A UE diz também que o impacto do tremor será limitado porque "a província de Sichuan produz entre 3 a 4% das exportações chinesas, o que não é suficiente para afetar o desempenho econômico do país".

Sichuan contribui apenas 3,9% para o Produto Interno Bruto e 2,5% para as exportações chinesas, segundo os analistas.

– A forte reconstrução depois do balanço do sismo deverá beneficiar o negócio das empresas de construção – disse também Wu Feng, da consultora de TX Investment, citado pelo China Daily.

Apesar de Sichuan ter um passado histórico marcado por fortes terremotos, poucos edifícios na região estão construídos para resistir aos tremores.

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