O governo evita comentar o impacto do aumento do salário mínimo de R$ 275 nas contas públicas, mas analistas calculam que os gastos extras podem chegar a R$2 bilhões no ano, ou cerca de 0,1 % do Produto Interno Bruto (PIB).
Estas despesas são sobretudo na Previdência Social, que tem benefícios atrelados ao salário mínimo, além da folha de pagamento de municípios.
O valor, estimado por Nuno Camara Canto, do banco Dresdner Kleinwort Wasserstein, é menor do que cálculos divulgados pelo governo anteriormente, que estipulavam, apenas para a Previdência, despesas extras de cerca de cerca de R$ 4 bilhões.
Sem o reajuste para o mínimo, o déficit da Previdência já era previsto em R$30 bilhões este ano.
Veja outros dados sobre o salário mínimo, com informações do Ministério da Fazenda, IBGE e Dieese:
+ o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos) calcula o salário mínimo em 1.522 reais, que leva em consideração as determinações da Constituição e o custo da cesta básica.
+ Pelo menos 21 milhões de brasileiros, ou 27 % dos trabalhadores do país, recebem até um salário mínimo por mês. Outros 26% , ou 20,5 milhões de pessoas ganham entre um e dois salários mínimos.
+ Pouco mais de 1 milhão recebe acima de 20 salários mínimos, ou 1,3 % dos trabalhadores.
+ Cerca de 13,9 % os trabalhadores formais recebem menos que um salário mínimo.
+ O senso de 2000 mostrou que a renda per capita estava abaixo do salário mínimo em 15 dos 27 Estados brasileiros. A renda per capita variava de 140 reais em Alagoas a R$ 605 em Brasília.
+ O salário mínimo foi criado em 1936 pelo presidente Getúlio Vargas, mas seus valores só foram fixados em 1 de maio de 1940 para vigorar em julho.
+ Naquela época, havia 14 valores diferentes para o mínimo. Em São Paulo, valia 220 mil réis, o correspondente a 828 reais (em valores de março deste ano).
+ Apenas em 1984 o valor do mínimo foi unificado em todo o Brasil.