Quinze dos 25 detentos mortos ontem em uma briga entre gangues na cadeia de Ponte Nova (MG) foram identificados pelo IML (Instituto Médico Legal) de Minas, até a manhã desta sexta-feira. Os nomes ainda não foram divulgados. De acordo com a Polícia Civil, às 10h desta sexta, os familiares grande parte dos presos já identificados viajava de Ponte Nova para Belo Horizonte (MG) para fazer o reconhecimento dos corpos.
Os 25 apontados como responsáveis pelo conflito foram ouvidos pela Polícia Civil e autuados em flagrante. O governo de Minas também instaurou uma sindicância para apurar o caso.
Superlotação e investigação
Na carceragem da 12ª Delegacia Regional da Polícia Civil havia 173 pessoas, embora a capacidade fosse para 87. Há 12 celas no local. Em nota, o governo estadual afirmou tem feito investimentos para reduzir o déficit no número de vagas no sistema prisional. Durante todo o dia foram realizadas transferências de presos para outras unidades.
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), determinou ao secretário de Defesa Social, Maurício Campos Júnior, abertura de sindicância administrativa e inquérito policial para apurar as causas do conflito de quinta-feira, na Cadeia Pública de Ponte Nova, que resultou na morte de 25 detentos. Também determinou ao secretário de Desenvolvimento Social, Custódio Matos, a cooperação com os demais órgãos do Estado para agilizar o trabalho de assistência às famílias dos presos e das 25 vítimas.
Campos Júnior afirmou que a sindicância e inquéritos instaurados concluirão quais circunstâncias motivaram o conflito entre dois grupos rivais dentro da unidade. As primeiras apurações indicam que o tumulto foi provocado por detentos das celas 8 e 9, seguido de incêndio. A perícia técnica que está sendo realizada apontará se o incêndio se deu em decorrência do enfrentamento entre os detentos ou se foi provocado intencionalmente por um dos grupos rivais.
Segundo o secretário, o governador determinou urgência e agilidade na identificação dos presos mortos no confronto. Uma equipe do Instituto Médico Legal foi deslocada para Ponte Nova para coletar material genético junto a familiares das vítimas com o objetivo de acelerar a identificação das vítimas. Os 25 corpos das vítimas estão no IML de Belo Horizonte.
A Secretaria de Estado de Defesa Social (Sefs) vai realizar estudos técnicos sobre a possibilidade de reformas no prédio da cadeia de Ponte Nova (MG). De acordo com os resultados, o lugar pode ser desativado.