Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Imigrantes africanos protestam contra política de prisões em Israel

Segunda, 06 de Janeiro de 2014 às 09:37, por: CdB
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Mais de 10 mil imigrantes, a maioria africanos, protestaram em frente às embaixadas de países ocidentais contra a política de prisões de Israel
Milhares de imigrantes africanos reuniram-se, nesta segunda-feira, para protestar diante de embaixadas ocidentais em Tel Aviv, exigindo a libertação de compatriotas presos por Israel em uma instalação carcerária do deserto com base em uma nova lei que permite detenções por tempo indeterminado. "Chega de prisão", gritava a multidão que tomava a avenida da orla, em frente à embaixada dos EUA. Os manifestantes também se dirigiram às embaixadas da França, Itália, Grã-Bretanha, Canadá e Alemanha para entregar cartas solicitando apoio internacional contra a política de Israel contra imigrantes acusados de procurar trabalho ilegalmente. O Parlamento de Israel aprovou, em meados de dezembro, uma lei que autoriza as autoridades a deterem por prazo indeterminado imigrantes que não tenham vistos válidos. A medida foi condenada por críticos como uma violação aos direitos humanos. Cerca de 60 mil imigrantes, a maioria da Eritreia e Sudão, entraram em Israel a partir do Egito desde 2006, aproveitando uma época em que essa fronteira era mais permeável, segundo autoridades locais. Muitos dizem procurar refúgio ou asilo. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu já disse que vê a presença de muitos dos africanos como uma ameaça ao tecido social judaico do país. Desde 2012, a instalação de uma cerca na fronteira com o Egito reduziu a entrada de imigrantes. Os estrangeiros agora são capturados e levados um local que o governo descreve como uma prisão aberta, no deserto do sul israelense. No domingo, mais de 10 mil africanos protestaram em frente à prefeitura de Tel Aviv, pedindo a libertação dos imigrantes detidos desde que a lei entrou em vigor - mais de 300, segundo grupos de direitos humanos. Dezenas de outros foram intimados para serem detidos, entre eles pais de família, segundo ativistas de direitos humanos e funcionários do Acnur (agência da ONU para refugiados). A nova instalação prisional funciona em regime semiaberto. Os presos podem sair, mas precisam se reapresentar três vezes por dia, e podem ser mantidos por tempo indeterminado à espera da repatriação voluntária, da implementação de mandados de deportação ou da tramitação dos pedidos de asilo. "Colocar candidatos a asilo sob condições duras, que possam forçá-los a retornar sem ter suas solicitações de asilo examinadas, é algo que pode equivaler a uma violação (das convenções internacionais de proteção a refugiados)", disse Walpurga Englbrecht, representante do Acnur em Israel, em nota no domingo. Gideon Saar, ministro israelense do Interior, rejeitou as acusações, dizendo à Rádio do Exército na segunda-feira que a ampla maioria dos imigrantes chega a Israel em busca de empregos, não de asilo. – Mas Israel não é o seu lar, e faremos esforços para assegurar que ele não se torne um Estado de infiltradores – concluiu.
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