Imelda Marcos pediu à Justiça filipina nesta quarta-feira que proibisse a exibição de um documentário sobre sua ascensão ao cargo de primeira-dama, afirmando que os produtores do filme a tinham enganado.
O documentário de 100 minutos, intitulado simplesmente "Imelda", recebeu críticas favoráveis no exterior, mas deixou furiosa a mulher de 75 anos ao sugerir que ela e o presidente Ferdinand Marcos, morto em 1989, reuniram um grande patrimônio ilegalmente durante os 20 anos em que estiveram no poder.
"A senhora Marcos estava em pranto", afirmou à Reuters um amigo próximo dela, que não quis ter sua identidade revelada. "Ela queria ter comparecido diante da Justiça pessoalmente, mas estava muito emocionada. Ela se sentiu traída".
Imelda, cuja facilidade de chorar é tão famosa quanto sua imensa coleção de sapatos, mandou seu advogado pedir a uma corte de Manila que proibisse a exibição do documentário nos cinemas filipinos, algo previsto para acontecer a partir de 7 de julho.
O advogado, Vic Alvaro, disse que Imelda não tinha dado permissão à produtora do filme, a Ramona Diaz, de fazer um documentário a partir das entrevistas concedidas pela ex-primeira-dama dez anos atrás.
Imelda conta ter concordado em conceder as entrevistas porque, segundo Diaz, elas seriam usadas para uma tese de pós-graduação sobre mulheres famosas da Ásia, disse Alvaro.
A ex-primeira-dama só pode deixar o país com uma autorização especial, já que enfrenta uma série de acusações na Justiça criminal devido ao suposto desvio de 5 bilhões de dólares.
O casal fugiu para o Havaí em 1986, em meio a um levante popular deflagrado depois de uma eleição vencida por Ferdinand Marcos, mas considerada fraudulenta. Imelda voltou para as Filipinas no começo dos anos 1990 e chegou a ser eleita deputada em 1995.
Atualmente, a ex-primeira-dama passa a maior parte de seu tempo em um apartamento luxuoso de Manila. Ela pode ser vista de vez em quando comendo em alguns dos restaurantes mais caros da cidade.