Rio de Janeiro, 04 de Agosto de 2026

Imagem positiva de Kirchner atinge recorde na Argentina

Quarta, 04 de Junho de 2003 às 12:07, por: CdB

Eleito com 22% dos votos, o presidente da Argentina, Néstor Kirchner, atingiu um recorde nesta quarta-feira: conquistou a simpatia de 76 dos argentinos, antes de completar sua segunda semana no governo. Numa pesquisa, realizada pela consultora de Ricardo Rouvier e divulgada nesta quarta-feira, 60% dos argentinos consideram que a imagem de seu presidente é boa e 16% dizem que é muito boa. Nem o ex-presidente Fernando De la Rúa, eleito em 1999 com 48% dos votos, obteve um índice de popularidade tão alto. Quando De la Rúa assumiu, sua popularidade era de 70%. Seu idílio com os argentinos durou pouco. O ex-presidente prometeu mais emprego e justiça social, na campanha, mas quando assumiu, aumentou impostos e reduziu salários, agravando a recessão. Três meses depois, sua popularidade havia caído. E dois anos mais tarde, renunciou. Com Kirchner, disse Rouvier, a situação é diferente. Ninguém tinha muita expectativa em relação ao novo presidente. Entretanto, ao tomar decisões firmes, como renovar as cúpulas das Forças Armadas e da Polícia Federal, sua imagem mudou. Uma prova foi o encontro de Kirchner, nesta quarta-feira, com as Mães da Praça de Maio. Há 27 anos, elas buscam seus filhos, seqüestrados, torturados e mortos durante a última ditadura militar, que deixou um saldo de 10 mil a 30 mil desaparecidos. Críticas dos militares, elas também questionaram duramente os civis que governaram a Argentina durante as últimas duas décadas de democracia. Apesar de ter julgado e condenado à prisão os membros das Juntas Militares, que governaram a Argentina de 1976 a 1983, o ex- presidente Raúl Alfonsin perdoou os suboficiais acusados de cometerem crimes contra os direitos humanos. Seu sucessor, Carlos Menem, perdoou os comandantes das Juntas, que Alfonsin havia mandado para a cadeia. Já De La Rúa nomeou o general Ricardo Brinzoni para chefiar o Exército, apesar de haver denúncias de sua participação em um massacre durante a ditadura. Ao renovar a cúpula das Forças Armadas, Kirchner passou Brinzoni para a reserva. A presidente das Mães da Praça de Maio, Hebe de Bonafini, admitiu nesta quarta-feira que julgara mal Kirchner. Achava que ele era "igual a todos os outros" presidentes. "Percebemos que nem todos são iguais", disse Bonafini, que raras vezes elogia um político. Kirchner também recebeu membros de outras organizações de defesa dos direitos humanos, como o Prémio Nóbel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel. As organizações querem ter acesso aos documentos das Forças Aramdas, sobre os acontecimentos da ditadura militar, que nunca foram divulgados. Outro tema foi a renovação da Suprema Corte, cujos juízes foram acusados de actuarem de acordo com seus próprios interesses - e nem sempre em defesa da Constituição.

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