Em situação financeira delicada, a arquidiocese católica da cidade de Boston, nos Estados Unidos, vai vender a mansão do arcebispo e as terras adjacentes por mais de US$ 100 milhões a uma faculdade jesuíta vizinha, para indenizar centenas de pessoas que foram vítimas de abusos sexuais cometidos por padres.
Segundo a arquidiocese informou hoje, o Boston College aceitou em princípio a proposta de pagar US$ 99,4 milhões por cerca de 17 hectares de terreno nos limites da cidade. O terreno inclui o palácio em estilo italiano que há mais de 70 anos é residência dos arcebispos locais.
A faculdade também aceitou pagar US$ 8 milhões para comprar um outro terreno adjacente, de 1,3 hectare, e além disso tem a preferência na compra de mais 7 hectares ao longo da próxima década, caso a arquidiocese decida vendê-los.
"É bom que tenhamos conseguido manter a propriedade dentro da família católica", disse o arcebispo Sean O'Malley, há cerca de um ano no cargo. O'Malley disse que, embora esteja triste com a perda dessa parte importante da história da arquidiocese, a venda vai permitir que a Igreja se recupere, pois a instituição conseguirá pagar as dívidas resultantes dos escândalos de abusos sexuais que surgiram há mais de dois anos.
O acordo cumpre a promessa feita por O'Malley, de que os bens paroquiais e os fundos arrecadados anualmente entre fiéis não seriam usados para arcar com os US$ 85 milhões de indenizações, definidos em um acordo firmado no ano passado com mais de 500 pessoas que dizem ter sofrido abusos sexuais.
O'Malley é um frade franciscano que no ano passado trocou a imponente mansão por acomodações mais modestas no centro de Boston. Depois disso, a arquidiocese colocou a mansão e os terrenos contíguos à venda.
O acordo representa um marco para o Boston College, uma das faculdades mais conceituadas dos EUA, que há tempos tenta se expandir. Ao longo dos próximos dois anos, o campus aumentará em quase um terço.