Rio de Janeiro, 14 de Agosto de 2026

Igreja Presbiteriana Independente do Brasil comemora 100 anos

Sábado, 16 de Agosto de 2003 às 17:01, por: CdB

A Igreja Presbiteriana Independente do Brasil (IPIB) está comemorando neste sábado o seu centenário com uma concentração no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, onde estão reunidas cerca de 15 mil pessoas vindas em caravanas de todos os cantos do País.
 
O ponto alto da celebração será o culto de ação de graças, às 19 horas, com a participação de um coral de duas mil vozes e uma pregação do reverendo Abival Pires da Silveira, pastor da Catedral Evangélica de São Paulo.

Fundada em 31 de julho de 1903, quando um grupo de sete pastores e 15 presbíteros se rebelou contra o domínio dos missionários da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, a IPIB nasceu para ser uma igreja nacional e autônoma.

Um dos líderes desse movimento foi o gramático e filólogo Eduardo Carlos Pereira, pastor da Primeira Igreja Presbiteriana, a atual Catetral Evangélica da Rua Nestor Pestana, que funcionava então num modesto bangalô da 24 de Maio, no centro da capital paulista.
 
- Todo o material usado na construção foi importado, porque durante o Império era proibido negociar com os protestantes - lembra o reverendo Abival, ao contar a história do presbiterianismo.

Os missionários evangélicos se estabeleceram no País no século 19, depois de duas tentativas frustradas - uma em 1557, quando João Calvino, um dos líderes da Reforma Protestante, enviou ao Rio de Janeiro um grupo de pastores, a pedido do invasor francês Nicolas Durand de Villegagnon, e outra, cem anos mais tarde, durante a ocupação holandesa do Nordeste.

De origem e inspiração calvinista, a Igreja Presbiteriana do Brasil - da qual se desmembrariam a Independente e outras igrejas presbiterianas, como a Conservadora, a Reformada e a Unida - foi fundada pelo reverendo Ashbel Green Simonton, um missionário americano que desembarcou no Rio em agosto de 1859 e dirigiu o seu primeiro culto em português em abril do ano seguinte.

Com a ajuda dos Estados Unidos, o presbiterianismo abriu templos e escolas, entre as quais a atual Universidade Mackenzie. É presbiteriana também a Associação Cristã de Moços (ACM).
 
- A Igreja Presbiteriana Independente do Brasil tem cerca de 100 mil membros e 700 comunidades, sob a direção de 720 pastores, 5 mil presbíteros e 7 mil diáconos - informa o reverendo Assir Pereira, presidente da Assembléia Geral, órgão máximo na direção da igreja.

A Região da Grande São Paulo tem 153 templos. Desde que a IPIB passou a admitir a ordenação de mulheres, há seis anos, vem aumentando o número de pastoras, presbíteras e diaconisas.

Os pastores, que estudam cinco anos de teologia em seminários, são os responsáveis pela direção da comunidade, à qual muitos se dedicam em tempo integral. Os presbíteros têm funções administrativas e os diáconos cuidam de serviços sociais.
 
- Consciente de que tem de lutar pelo resgate de sua presença profética no mundo, a IPIB tem projetos sociais ao lado de cada templo - informa o reverendo Assir.

São creches, casas de amparo a mães adolescentes, obras de assistência a moradores de rua e iniciativas de apoio aos trabalhadores sem-terra, por exemplo, numa linha de centro esquerda, sem conotação político-partidária, para resgate da cidadania e da dignidade humana.

- A Igreja Presbiteriana Independente se mobiliza em socorro da população carente - afirma o seu presidente, lembrando que esse envolvimento vem da época da ditadura, nos anos 60, quando os atuais dirigentes estudavam nos seminários.

O reverendo Abival, pastor da Catedral Evangélica da Rua Nestor Pestana, disse que os presbiterianos independentes procuram ser fiéis à dimensão política e social do Evangelho, a exemplo dos primeiros discípulos de Cristo.
 
Nesse ponto, o ideário da IPIB se aproxima da linha da Igreja Presbiteriana Unida, à qual pertencia o pastor Jaime Wright, que se notabilizou por sua resistência ao regime militar.

Ao contrário da Igrej

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