O papa João Paulo II recebeu na sexta-feira uma bênção especial para os que se aproximam da morte depois que sua saúde piorou subitamente, atraindo orações de fiéis do mundo todo, relutantes em aceitar que o fim do pontífice pode estar próximo.
Autoridades da Igreja tentavam preparar os fiéis para a conclusão de um dos mais longos papados da história, depois que o Vaticano anunciou que o papa havia recebido uma comunhão especial para os moribundos - e de ter se recusado a voltar ao hospital.
- O que estou fazendo agora é rezando para que a passagem (do papa) para a outra vida ocorra em paz e sem dor - disse o cardeal Godfried Danneels, arcebispo de Bruxelas-Mechelen, na Bélgica.
Aos 84 anos, João Paulo 2o. ainda estava consciente e seu estado era estável, embora grave, após a parada cardíaca que sofreu, disse o porta-voz do Vaticano Joaquin Navarro-Valls à imprensa, tentando afastar as lágrimas. Ele disse que o pontífice celebrou a missa de sua cama ao amanhecer.
- O papa está lúcido - disse.
- Está extraordinariamente sereno, mesmo com problemas para respirar.
Depois de passar semanas com sua saúde se deteriorando, o papa teve febre alta na quinta-feira, provocada por uma infecção urinária. Segundo a imprensa, a febre ultrapassou os 40 graus Celsius.
- Estabeleceu-se um quadro de choque séptico e insuficiência cardiocirculatória - disse o Vaticano.
Católicos de todo mundo encheram igrejas para rezar pelo homem que assumiu o papado em 1978 e revitalizou o Vaticano. O reinado de João Paulo II já é o terceiro mais longo da história.
Grupos de fiéis também se reuniram na praça São Pedro. Cardeais foram convocados à beira do leito do Santo Padre para dizer adeus pessoalmente.
- Ele está indo embora serenamente - disse Andrzej Deskur, cardeal polonês e conterrâneo de João Paulo 2o., segundo declaração citada pela agência Agi.
- Estão lhe dando oxigênio pelo nariz - disse Edmund Szoka, governador da Cidade do Vaticano, à CBS News.
- Eu o abençoei e ele tentou fazer o sinal da cruz. Fiquei triste de vê-lo sofrendo.
Ele afirmou que o papa estava sendo assistido por três médicos, um padre e várias freiras polonesas.
Oração pela sobrevivência
Os poloneses se apegavam à esperança de que sua maior autoridade moral consiga se afastar da morte.
- Vim para rezar pelo papa - disse Maria Danecka, uma das centenas de pessoas que cercavam a basílica de Wadowice, cidade natal de Karol Wojtyla. Muitas estavam em prantos.
- Se ele nos deixar, não teremos mais ninguém para nos mostrar o caminho, para nos ajudar a entender o mundo.
As igrejas da capital, Varsóvia, e da cidade de Cracóvia, no sul do país, onde Wojtyla foi arcebispo no passado, ficaram lotadas.
Navarro-Valls disse que o papa recebeu na quinta-feira o "sagrado viático", comunhão dada aos que se aproximam da morte, depois de seu estado ter se agravado.
- Ele ainda está consciente. Neste momento, a situação é estável, mas a condição significativamente grave permanece - afirmou.
O papa disse a assessores que não queria voltar ao hospital, onde passou vários dias antes da Páscoa, em decorrência de problemas respiratórios.
- O fato de ele não ter voltado mostra que ele está carregando a cruz com serenidade, e pronto para desistir e dizer: 'está encerrado' - disse seu ex-secretário, o bispo irlandês John Magee.
Quando um papa morre, cardeais do mundo todo são convocados a Roma para escolher o sucessor num conclave que tem início de 15 a 20 dias após a morte, na Capela Sistina, no Vaticano. Não há um favorito para assumir o cargo e comandar os 1,1 bilhão de fiéis da Igreja, e o próprio João Paulo II foi considerado uma surpresa quando foi eleito. Há quem acredite que o próximo papa venha do mundo em desenvolvimento, onde a religião é mais vibrant
Igreja prepara fiéis para morte de João Paulo II
Sexta, 01 de Abril de 2005 às 11:29, por: CdB