Rio de Janeiro, 28 de Maio de 2026

Igreja pede a espanhóis que desobedeçam lei do casamento gay

Sexta, 06 de Maio de 2005 às 11:44, por: CdB

Bispos católicos espanhóis lançaram um novo ataque contra o casamento gay na sexta-feira, exortando a todos os fiéis que resistam à aplicação da lei que vai permitir as uniões homossexuais no país.

O Parlamento espanhol deu no mês passado sua aprovação inicial à lei, uma medida do governo socialista que enfureceu a Igreja. A proposta de lei precisa da aprovação do Senado, e depois disso deve ser posta em vigor nos próximos meses.

"Os católicos, assim como todas as pessoas de caráter moral correto, não podem ser indecisos ou complacentes diante dessa lei, mas sim devem se opor a ela de forma clara e incisiva", disse a Conferência dos Bispos da Espanha numa declaração.

Para os bispos, a lei "subverte os princípios morais mais básicos que sustentam a ordem social".

Eles afirmaram que os católicos devem se recusar a adotar a lei por uma questão de consciência, ecoando recomendações do Vaticano, que pediu aos prefeitos que não realizem as cerimônias. Vários prefeitos espanhóis da oposição conservadora já disseram que vão se recusar a fazer os casamentos.

A vice-primeira-ministra Maria Teresa Fernandez de la Vega respondeu aos bispos dizendo que não cabe a eles tomar decisões relativas a casamentos no civil.

"Essa medida estende direitos e não prejudica ninguém, absolutamente ninguém, mas beneficia muita gente", disse ela a repórteres.

Embora 95 por cento dos espanhóis se digam católicos, pesquisas mostram que atitudes cada vez mais liberais predominam na sociedade.

Fernandez de la Vega reiterou que todas as autoridades públicas têm de respeitar a lei, mas indicou que o governo não pretende se envolver em batalhas judiciais contra prefeitos rebeldes.

"Na prática, isso não será um problema ... Se uma autoridade não quiser celebrar um casamento gay, posso garantir que sempre haverá outra para fazê-lo."

A declaração dos bispos acabou com as esperanças de que as relações entre o governo e a Igreja no país fossem se acalmar com a eleição do novo presidente da Conferência dos Bispos da Espanha, que é menos conservador.

O governo socialista já tinha irritado a Igreja com outras medidas, como a que facilita o divórcio e a que permite as pesquisas com células-tronco.

Na sexta-feira, o gabinete espanhol aprovou uma medida que regulamenta técnicas de reprodução assistida, que passará pelo Parlamento e que também deve desagradar à Igreja. Ela permite, "em casos limitados e excepcionais", a doação de células de embriões saudáveis criados artificialmente para curar parentes doentes.

A ministra da Saúde, Elena Salgado, disse que isso seria possível para salvar a vida de uma criança que tivesse uma doença incurável. O texto inclui restrições rígidas para evitar o uso das técnicas na criação de "bebês por encomenda".

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