A Igreja Patriótica Católica, reconhecida pelo governo chinês, e que dependente diretamente do Partido Comunista da China (PCCh), expressou nesta quarta-feira, seu desejo de que o novo papa Bento XVI rompa o mais rápido possível relações com Taiwan.
- Desejamos que o papa rompa o mais rápido possível com Taiwan e desenvolva ainda mais a causa religiosa no mundo todo - declarou Liu Bainian, vice-presidente da Igreja Patriótica Católica.
Liu assinalou que na China os católicos "têm a mesma fé" que no Vaticano, "mas há diferenças no regime político", acrescentou.
- Deus disse que é preciso amar o próprio país. Vivemos em um regime socialista e também temos que amar nosso país, é um direito do qual todos os crentes devem desfrutar, sem importar em que país vivam - matizou Liu.
Bento XVI arremeteu na missa prévia ao Conclave no domingo passado contra as "modas do pensamento" que ameaçam o catolicismo e enumerou: "O marxismo, o liberalismo, a libertinagem, o coletivismo, o individualismo radical e o ateísmo".
Embora Liu reconheça não saber muito da personalidade do novo Pontífice, confia "na seleção de Deus" e mantém a esperança de as relações entre Pequim e a Santa Sé melhorarem, o que "depende do Vaticano".
Liu assinalou que logo após saber da notícia da nomeação de Joseph Ratzinger, às 02.00 horas (local), ficou "muito contente".
- Cheguei ao escritório antes das 8 da manhã e enviei um telegrama em nome do grupo de bispos chineses e da Igreja Patriótica - assinalou.
O telegrama foi enviado em representação dos mais de cinco milhões de seguidores chineses com os quais conta esta igreja, enquanto o governo chinês felicitou o papa através de um comunicado oficial no qual expressou seu desejo de que Ratzinger "crie as condições favoráveis" para melhorar as relações bilaterais.
Liu expressou seus sentimentos ao saber da nomeação de Ratzinger: "avisei as paróquias de todo o país para que rezem por ele e pedi a Deus que lhe outorgue inteligência, saúde e uma longa vida".
O governo da China, que se declara ateu, reconhece a Igreja Patriótica, mas persegue os mais de oito milhões de adeptos da Igreja Católica clandestina, como denunciou recentemente o Vaticano.
O budismo é a religião majoritária na China, com 100 milhões de seguidores, seguida pelo Taoísmo (único credo originário chinês), o Confucionismo (filosófico) e o Islamismo.
Igreja Patrótica Católica quer que papa rompa ligações com Taiwan
Quarta, 20 de Abril de 2005 às 03:35, por: CdB