Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Igreja informa ao Vaticano que sequestrados em RR correm risco de morte

Quinta, 08 de Janeiro de 2004 às 14:35, por: CdB

Os índios da etnia tuxaua libertaram oito alunos da Missão Concordata, da Igreja Católica, na Aldeia Surumu, em Roraima, mas continuam mantendo três religiosos em prisão domiciliar e seqüestro, informou à Rádio Nacional da Amazônia o vigário-geral da Diocese de Boa Vista, padre Edson Damian. Ele disse estar muito preocupado com a proteção e a segurança dos religiosos. Acha, inclusive, que eles correm risco de vida. Por isso, a igreja manteve contatos hoje com o Vaticano, em Roma.

Segundo o Vigário de Boa Vista, nesta manhã, os índios estão se mostrando mais violentos do que nos dias anteriores. Eles protestam contra a decisão da Fundação Nacional do Índio (Funai) de homologar as Reservas São Marcos/Raposa Serra do Sol de forma contínua e não em "ilhas". É o que desejam também os fazendeiros e o governo estadual. "O clima é de desordem e de terror, inclusive na capital", informou o padre Edson Damiam, ao programa Revista Amazônia.

Estão em poder dos índios, na Aldeia Surumu, os padres Ronaldo Pinto França, natural de Manaus e César Avellaneda, colombiano, que acompanhavam um grupo de seminaristas da capital do amazonas. Também está seqüestrado o irmão João Carlos Martinez, espanhol, diretor do Centro de Formação Indígena da Aldeia Surumu, onde aconteceu a invasão, há três dias.

Houve violência, segundo o vigário-geral de Boa Vista. "Eles chegaram alcoolizados, insuflados pelos plantadores de arroz, depredaram as instalações, destruíram os computadores e os utensílios escolares e de cozinha, e depois prenderam as pessoas."

Padre Edson lamentou a ausência de uma ação do governo de Roraima para conter a ordem. Ele disse que as negociações com os indígenas, com relação aos padres seqüestrados, estão sendo todas encaminhadas pela Polícia Federal, que passa apenas a parte do dia na Aldeia, voltando, à noite, para a capital.

O governador de Roraima, Flamarion Portela, licenciado do PT, veio a Brasília discutir uma solução para o impasse com o governo federeal. Segundo o vigário-geral de Boa Vista, a igreja católica está "ao lado da Justiça e da legalidade, a favor da demarcação acertada de acordo com a Constituição e com base em estudos antropológicos".

A Ordem Concordata, fundada há cem anos em Turim, na Itália, funciona em Roraima, na forma original de Prelazia, desde 1948. Além da parte religiosa, presta também assistência material aos indígenas da região. A Escola de Formação Indígena de Surumu, que foi invadida, por exemplo, funciona apenas com recursos da Igreja e não recebe qualquer verba do Governo. A Ordem também ajudou a fundar, há 25 anos, o Centro Indígena de Roraima - CIR, dirigido apenas por líderes indígenas.

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