Este seria o maior pagamento já feito pela Igreja desde que surgiu o escândalo de abuso sexual envolvendo religiosos em 2002 e elevaria o total de indenizações pago pela Igreja desde 1950, nos Estados Unidos, a US$ 2 bilhões (R$ 3,7 bilhões).
Em uma carta enviada recentemente a seus paroquianos, o cardeal Roger Mahony disse que Igreja venderia prédios administrativos e consideraria a venda de outras 50 propriedades para levantar fundos para o acordo.
A diocese ainda não comentou o resultado das negociações, mas informou que integrantes da Igreja planejavam aparecer perante a corte na manhã da próxima segunda-feira.
Processo de cura
Uma das supostas vítimas no processo, Steven Sanchez, disse estar ao mesmo tempo aliviado e desapontado com o resultado.
— Eu estava emocionalmente pronto para levar a arquidiocese para a corte em menos de 48 horas, mas estou feliz que todas as vítimas vão receber uma compensação. Espero que as vítimas encontrem algum tipo de conforto nesse processo.
O advogado Ray Boucher disse que o acordo também pedia a divulgação de arquivos pessoais confidenciais dos padres.
— A transparência é parte fundamental disso — disse Boucher.
Para David Clohessy, diretor da Rede de Sobreviventes a Abusos Cometidos por Padres, apesar do valor recorde do acordo, dinheiro não era o objetivo principal das vítimas.
— Nunca é uma questão de dinheiro. As vítimas querem conforto, prevenção, conclusão, prestação de contas.
Desde 2002, cerca de mil pessoas entraram com ações contra a Igreja Católica só no estado americano da Califórnia.
Em fevereiro de 2004, um relatório encomendado pela própria Igreja concluiu que mais de 4 mil padres católicos nos Estados Unidos tinham sido acusados de cometer abuso sexual nos últimos 50 anos.