Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Igreja Católica perde terreno na América Latina

Terça, 05 de Abril de 2005 às 12:19, por: CdB

A América Latina, onde mora metade de todos os católicos do mundo, torce para fornecer o novo papa. Mas a Igreja Católica vem perdendo terreno na região para os grupos protestantes, depois de 500 anos de domínio.

Segundo pesquisas, o número de evangélicos na América Latina duplicou, passando de 5 para 10% da população total, durante o pontificado de João Paulo II, e com o surgimento de grupos pentecostais em bairros pobres de vários países, do Brasil à Guatemala.

- Um dos dois ou três grandes temas com os quais o novo papa terá de lidar é impedir que esses 10% se convertam em 50% - disse o pesquisador Philip Jenkins, catedrático em história e religião da Universidade Estadual da Pensilvânia.

Com a promessa de combater o alcoolismo e o uso de drogas ou curar doenças com a fé, as igrejas protestantes estão preenchendo o vácuo deixado pelo deficiente atendimento à saúde na região e abordando os problemas sociais dos bairros pobres.

A Igreja Católica, vista como uma entidade distante, vem se concentrando nos fiéis das decadentes zonas rurais, que sofrem com o êxodo para as áreas urbanas.

Na Cidade da Guatemala, a Igreja Pentecostal Antioquía é um refúgio contra a violência na Zona 8, um bairro operário onde o som de tiros é comum e onde se podem ver corpos de vítimas nas ruas.

- Sei que a violência acabará se todos nós nos evangelizarmos com os membros dos bandos de criminosos. Sei que isso muda pessoas como eu - disse o segurança da igreja, Vinicio Rodríguez, 30, ex-traficante.

Há quem acredite que o conclave que se reunirá no Vaticano para escolher um novo papa possa eleger alguém da América Latina, refletindo a mudança do poder clerical para os países em desenvolvimento.

Um dos nomes cotados é o do brasileiro d. Cláudio Hummes. No Brasil, Jenkins estima que entre 10 e 20 por cento da populaçãoA Igreja tem outros problemas na América Latina. A frequência às missas vêm caindo e os jovens ignoram a proibição do uso de métodos contraceptivos.

O México, o segundo maior país católico, atrás do Brasil, se transformou num líder mundial no controle da natalidade. Analistas afirmam que o conservadorismo de João Paulo II e a desautorização da Teologia da Libertação, da esquerda católica, afastaram muitos fiéis.

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