Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Igreja Católica faz jus a seu nome no enterro de João Paulo II

Sexta, 08 de Abril de 2005 às 11:11, por: CdB

O catolicismo romano nunca pareceu tão universal - o significado original de "católico" - quanto nesta sexta-feira, quando fez as últimas homenagens ao papa João Paulo II, um dos maiores nomes dos 2.000 anos de história da Igreja.

A cerimônia fúnebre na Basílica de São Pedro foi puramente romana, cantada no antigo latim da cidade em rituais que evoluíram ali ao longo de séculos de celebrações religiosas.

Mais que nunca, porém, a mensagem do papa realmente foi "urbi et orbi" (à cidade e ao mundo), seja pela presença de todos os países e crenças representadas no funeral, seja pelas centenas de milhões de pessoas que assistiram ao enterro pela televisão em todo o planeta.

- Pela primeira vez na história, João Paulo II foi realmente um pai universal para todo o mundo - disse o cardeal de Bruxelas, Godfried Danneels, sobre o papado "globalizado" do pontífice.

O polonês Karol Wojtyla deu uma nova definição ao ministério de São Pedro, que foi o primeiro dos 264 papas da Igreja, voltando-o "não apenas à Igreja Apostólica Romana, mas ao mundo", como disse o cardeal de Londres, Cormac Murphy-O'Connor.

A globalização se refletia na praça São Pedro. Ali, havia bandeiras da Polônia e do México, do Taiwan e do Líbano, entre outras. As orações foram feitas em dez línguas, incluindo espanhol, português, inglês, filipino e suaíli.

Entre os líderes religiosos estava o chefe espiritual dos cristãos ortodoxos, o patriarca Bartholomew, o líder anglicano, o arcebispo de Canterbury Rowan Williams, e o secretário-geral do rabinato israelense, Oded Viner.

Do lado secular, cinco reis, seis rainhas e pelo menos 70 presidentes e primeiro-ministro foram à cerimônia. Os muçulmanos se destacaram. Estavam lá o rei Abdullah, da Jordânia, o presidente do Irã, Mohammad Khatami, e o do Afeganistão, Hamid Karzai.

A delegação dos Estados Unidos incluía o presidente George W. Bush e seus antecessores Bill Clinton e George Bush. A Grã-Bretanha enviou o príncipe Charles e o premiê Tony Blair.

"De Bush a Khatami, o último milagre de Karol", afirmava a manchete do jornal italiano La Stampa.

O nível das delegações foi muito mais alto que no último grande funeral papal, o do papa Paulo 6o., em 1978.

-  Se havia judeus e muçulmanos lá, eles não eram proeminentes - disse o especialista John-Peter Pham, da Universidade James Madison, na Virgínia.

Segundo ele, a presença da igreja ortodoxa foi inédita, mesmo que a igreja ortodoxa russa só tenha mandado um representante.

- Até meados dos anos 1990, os ortodoxos costumavam se afastar de eventos nos quais estivessem presentes católicos ocidentais.

A presença popular também foi muito menor para reverenciar o austero Paulo VI, cujo enterro aconteceu no meio das férias de verão, em agosto.

- Os romanos não voltaram por Paulo VI, mas olhe só quanta gente veio de toda a Europa por João Paulo II - disse Pham.

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