Pelo menos um padre da igreja Católica Romana foi acusado de abuso sexual a cada semana na Inglaterra e no País de Gales no ano passado, mas nenhum deles foi processado e todos, a não ser dois, ainda estão nos cargos, disse um relatório divulgado nesta terça-feira.
Também foram feitas outras 10 alegações de abuso físico, emocional ou de outros tipos por padres, voluntários ou empregados da igreja, elevando para 62 o total de queixas no ano, de acordo com relatório do Escritório Católico para Proteção da Criança (COPCA). Houve 51 relatos de "comportamento inapropriado" em relação a crianças tratados internamente na Igreja depois de consultas com a polícia e serviços sociais.
O COPCA foi estabelecido após recomendação do relatório Nolan, que foi encomendado em 2001 pelo líder da Igreja Católica Romana na Inglaterra e Gales, o cardeal Cormac Murphy-O'Connor, para lidar com o problema de abuso na igreja.
Murphy-O'Connor envolveu-se no escândalo ao admitir ter cometido erros enquanto era bispo nos anos 1980, quando transferiu um padre suspeito de abuso de crianças para um novo cargo, em vez de investigar o caso totalmente. O padre cumpriu duas penas de prisão por abuso.
O lorde Nolan, que conduziu a investigação de 2001, disse que o relatório desta terça-feira mostrou que está sendo feito progresso na luta contra o abuso - que vem marcando a igreja Católica há anos.
"Foi feito progresso em um momento de contínua atenção pública e preocupação com a maneira como a igreja Católica lida com tais temas, não somente na Inglaterra e em Gales, mas também na Irlanda, América e Canadá e Austrália", disse ele no relatório. "O abuso não é somente um problema entre padres...infelizmente dentro da comunidade da Igreja também é cometido por empregados e voluntários."
Dois estudos divulgados em fevereiro mostraram que mais de 10.600 crianças disseram que foram molestadas por padres desde 1950. A maioria das vítimas é de garotos de entre 11 e 14 anos de idade.
O relatório do COPCA mostrou que foram feitas 62 reclamações no ano passado no Reino Unido, com total de 86 vítimas, sugerindo que alguns funcionários foram vítimas de múltiplas acusações. Somente um caso resultou em ação policial, 22 estão passando por análise inicial de autoridades e 23 estão sendo investigados.