A Arquidiocese do Rio de Janeiro está diante de um novo desafio. Ainda sem decidir o destino do apartamento de alto luxo comprado na avenida Rui Barbosa, um dos endereços mais elegantes do Rio, no Flamengo, que serviria de residência para Dom Eusébio Scheid apenas quando ele estivesse ao Rio, o novo diretor financeiro da instituição descobriu que a maior parte de uma indenização judicial paga pela prefeitura da cidade, no valor de R$ 5,1 milhões, foi gasta pelo padre Edvino Steckel em objetos de luxo e futilidades. Restaram no cofre da Cúria Metropolitana apenas R$ 2 milhões.
Em entrevista a um jornal diário do Rio, o substituto de Steckel, monsenhor Abílio Ferreira da Nova, responsável pela administração dos bens da Arquidiocese, confirmou ao repórter Fernando Molica a gastança promovida por seu antecessor. O dinheiro teria sido mal-empregado na compra de "bens desnecessários" e no pagamento de dívidas que a própria Igreja desconhecia, disse o religioso.
– O dinheiro sumiu – afirmou Nova.
Steckel renunciou ao cargo, há uma semana, após a divulgação da compra pela Arquidiocese do imóvel avaliado em R$ 2,2 milhões, que serviria de residência provisória para Dom Eusébio, que nomeou Steckel para o cargo, ano passado. O novo arcebispo, Dom Orani João Tempesta, disse desconhecer a compra do imóvel.
Segundo a reportagem, o monsenhor Nova irá recontratar a maior parte dos 67 funcionários demitidos na gestão de Dom Eusébio. O apartamento no Flamengo, segundo o monsenhor, deverá ser vendido com prejuízo para a instituição, pois uma obra inacabada teria destruído parte do imóvel.
– Hoje, o apartamento vale muito menos – disse.
Luxo e bons vinhos
Aos 42 anos, o padre Edvino Alexandre Steckel é doutor em História Eclesiástica e criou a imagem de um administrador moderno. A exemplo do que fez o presidente do Senado, José Sarney, encomendou à Fundação Getúlio Vargas (FGV) uma proposta para aprimorar a gestão da Arquidiocese. O religioso mora em um apartamento na Lagoa Rodrigo de Freitas, um dos metros quadrados mais caros da cidade, onde cultiva o hábito de apreciar bons de vinhose vestir camisas feitas sob encomenda pelos mesmos alfaiates que costuram os fardões da Academia Brasileira de Letras.