As bolsas de valores da Ásia fecharam em alta nesta sexta-feira, com o índice de Tóquio avançando quase 3% e o iene caindo após o G7 ter aprovado uma intervenção coordenada para frear a valorização da moeda do Japão e acalmar os mercados sobre a crise nuclear do país.
As bolsas de valores da Ásia fecharam em alta nesta sexta-feira, com o índice de Tóquio avançando quase 3% e o iene caindo após o G7 ter aprovado uma intervenção coordenada para frear a valorização da moeda do Japão e acalmar os mercados sobre a crise nuclear do país. Às 8h07 (horário de Brasília), o índice da região Ásia-Pacífico exceto o Japão subia 0,97%.
A medida do G7 para ajudar o Japão, que luta para resolver a maior crise desde a Segunda Guerra Mundial, vem um dia após o iene ter disparado para o recorde de 76,25, em meio ao caos do mercado. O dólar subia mais de 3%, para cerca de 81,75 ienes depois do anúncio do G7, feito logo após a abertura do mercado acionário japonês.
– Eles disseram que vão intervir e o mundo inteiro vai intervir. Isso é muito maior que o esperado anteriormente – disse Imre Speizer, estrategista do Westpac Bank, em Wellington.
Em Tóquio, o índice Nikkei subiu 2,7%, mas ainda fechou a semana em queda de cerca de 10%, com US$ 350 bilhões retirados das ações. A alta do iene havia sido incitada pela expectativa de que seguradoras e outras companhias do Japão repatriassem fundos para cobrir os enormes custos da reconstrução do país após o terremoto e o consequente tsunami da semana passada.
Uma onda de vendas entrou em ação, fazendo o iene superar o recorde anterior de 79,75 por dólar alcançado após o terremoto de Kobe, em 1995. Em Hong Kong, o mercado teve leve alta de 0,07%. A bolsa de Taiwan avançou 1,35% e o índice referencial de Xangai ganhou 0,33%. Sydney subiu 1,56%, enquanto Cingapura encerrou em queda de 0,24%.
Intervenção do BC
O Japão comprou bilhões de dólares para conter a alta do iene nesta sexta-feira, e operadores citaram também intervenções no mercado por parte de bancos centrais europeus, em uma ação das maiores economias do mundo para acalmar os investidores em meio à crise nuclear japonesa. O dólar saltou 2 ienes para 81,83 ienes, deixando para trás o recorde de baixa de 76,25 atingido na véspera, conforme o Banco do Japão entrou no mercado. Operadores estimaram que o BC japonês comprou mais de US$ 25 bilhões.
Outros BCs na Europa estavam vendendo ienes por euros, na primeira intervenção combinada do G7 em uma década. Os mercados acionários europeus subiram em resposta.
– Vai haver um grande efeito ressoando no mercado. Porque o único tipo de intervenção que realmente funciona é a intervenção coordenada, e isso mostra a solidariedade de todos os bancos centrais em termos da gravidade da situação no Japão – disse Kathy Lien, diretor de pesquisa cambial do GFT em Nova York.
A bolsa do Japão subiu quase 3% neste pregão, recuperando parte das perdas da semana motivadas pelos temores relacionados ao terremoto, ao tsunami e a crise nuclear que atingiram o país. A queda na semana foi de 10%. O G7 anunciou a decisão de intervir em conjunto após uma breve teleconferência nesta sexta-feira. A última intervenção assim ocorreu há uma década, quando os países ricos agiram para dar suporte ao euro após seu lançamento.
O ministro das Finanças do Japão, Yoshihiko Noda, disse que o BC começou a vender ienes às 21h (horário de Brasília) e que os demais bancos centrais do G7 interviram conforme abriam seus mercados. Uma fonte disse à Reuters que o BC japonês deixou os ienes que vendeu no sistema, aumentando a liquidez que vem oferecendo ao mercado.
Depósito compulsório
O banco central da China disse nesta sexta-feira que elevou o depósito compulsório dos bancos em 0,5 ponto percentual, a terceira alta deste ano e a sexta desde novembro. A medida eleva a taxa de depósito dos bancos para o nível recorde de 20%, parte da campanha do governo para controlar a inflação. Em comunicado publicado em seu site, o BC chinês disse que a elevação entra em vigor a partir de 25 de março.
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