Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Iemenitas transformam orações de sexta-feira em atos políticos

Sexta, 01 de Julho de 2011 às 05:06, por: CdB

Iemenitas transformam orações de sexta-feira em atos políticos

Por Mohamed Sudam

SANAA (Reuters) - Dezenas de milhares de iemenitas transformaram as orações desta sexta-feira em manifestações a favor e contra o presidente Ali Abdullah Saleh, que se recupera de ferimentos sofridos num ataque no mês passado.

Testemunhas disseram que simpatizantes da oposição lotaram a rua 60 para ouvir um clérigo muçulmano conclamar o presidente interino Abd-Rabbu Mansour Hadi a se empenhar mais para acabar com a crise política -- o que incluiria obter a renúncia de Saleh e convocar uma eleição.

"Sacrificamos tudo o que temos, você deveria sacrificar o que tem", disse o pregador, dirigindo-se a Hadi.

O presidente interino disse à CNN que Saleh ficou tão ferido no ataque que não é possível prever quando ele regressará ao Iêmen depois de ser tratado na Arábia Saudita. "Pode levar meses, é uma decisão que cabe aos médicos", afirmou.

Os Estados Unidos e a vizinha Arábia Saudita, temendo que a instabilidade no Iêmen fortaleça militantes islâmicos ligados à Al Qaeda, pressionam pela renúncia de Saleh, no poder há 33 anos.

Os distúrbios no Iêmen já duram meses, e o país enfrenta também a mobilização da Al Qaeda e uma rebelião separatista no sul. "Vamos continuar pagando o preço até libertarmos o nosso país de um tirânico regime familiar", disse o pregador islâmico.

Na rua 70, um grupo menor, de partidários de Saleh, saiu da prece semanal para uma passeata com faixas e cartazes em apoio ao presidente. "Você é nosso presidente, líder e comandante até 2013", dizia um cartaz, em alusão ao final do atual mandato de Saleh.

Em Genebra, um porta-voz de direitos humanos da ONU disse que uma equipe de investigadores em visita ao Iêmen tem recebido uma boa cooperação do governo.

Rupert Colvillle disse que o grupo se reuniu com Hadi e com líderes da oposição em Sanaa, e com manifestantes na capital e na cidade de Taiz (sul), onde pelo menos 15 pessoas foram mortas por soldados durante um protesto em 29 de maio.

Os investigadores internacionais, segundo Colville, "conduziram entrevistas, recolheram documentos e visitaram dois importantes locais de protestos, duas praças em Sanaa, onde manifestantes antigoverno e pró-governo têm se reunido".

(Reportagem adicional de Stephanie Nebehay em Genebra)

Reuters

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