Fabricio Cortinove Pelachine
Especial para o site da FPF
Ídolo nos tempos de jogador e treinador vitorioso, este é Geime Rotta, de 52 anos, que retornou ao Santo André nesta temporada para conseguir o acesso pelo clube na Série C do Campeonato Brasileiro. Quando jogador, Rotta atuava no meio de campo e jogou por Iguaçu (PR), Atlético Paranaense, América, Goiás, Grêmio Mauaense e na própria equipe do Grande ABC, onde passou aquele que talvez tenha sido principal momento da carreira.
No time andreense atuou de 1983 a 1987 e foi o jogador que mais vestiu a camisa do clube na Série A do Campeonato Brasileiro de 1984, junto com o lateral-esquerdo Jaime Boni e o goleiro Tonho, com 20 exibições. Neste ano, Rotta tornou-se também o primeiro jogador do Santo André a jogar pela Seleção Brasileira.
Como treinador, Rotta passou por Grêmio Barueri, Palestra de São Bernardo, Mauaense, Rio Branco, Ivinhema (SC), Grêmio Catanduvense e Santo André. Neste último realizou grande trabalho em 2003, quando esteve presente em grande parte da campanha do acesso na Série C e conquistando o título da Copa São Paulo de Futebol Júnior, competição em que derrotou o Palmeiras na final e revelou jogadores como: Nunes, Richarlyson, Ângelo Júnior e Alex Bruno.
Além deste, o treinador também teve bons momentos no comando do Rio Branco e no Grêmio Catanduvense. Pela equipe de Americana conseguiu o acesso na Série A2 do Campeonato Paulista em 2008 e na atual temporada repetiu este feito no comando da agremiação de Catanduva.
FPF: Como foi a decisão de parar de jogar e virar treinador?
Rotta: Parei com 39 anos no próprio Santo André e graças ao Luis Pereira, que me levou para a Seleção Brasileira de Máster e com a boa leitura de jogo que sempre tive, fiz essa opção. Estudei para esse objetivo e comecei na base que é um vestibular muito importante. Dei sequência ao trabalho, e graças a Deus tenho feito uma grande carreira e nesta volta ao Santo André espero ter uma passagem de sucesso.
FPF: Você citou o nome do Luis Pereira. Como foi este contato com o ex-jogador da Seleção Brasileira, Palmeiras e tantos outros clubes?
Rotta: Eu tive o prazer de jogar com o Luis Pereira no Santo André e fiz uma amizade muito grande. Um dia falei que precisava parar de jogar e o Luis disse que precisava de alguém para correr para ele na seleção da máster e aceitei o convite na época. Hoje o Luis está muito bem na Espanha. Não tenho mais contato, mas quem sabe podemos voltar a se encontrar, pois foi uma pessoa que me ajudou muito no futebol
FPF: Quais técnicos que você se inspira para trabalhar?
Rotta: Joguei 20 anos no futebol profissional e trabalhei com vários nomes. Durante este período comecei a coletar as coisas boas de cada um, pois ninguém é perfeito e tentamos conseguir este lado bom. Até hoje me espelho em muitos. Gosto da motivação do Bernardinho, há muitos anos na seleção brasileira de vôlei, pois é um vencedor. O Felipão é um treinador de primeira linha com seus métodos de trabalho, assim como o próprio Muricy que na minha época era um excelente jogador.
FPF: Com vários bons trabalhos nos últimos anos, como você pode ajudar o Santo André?
Rotta: Essas campanhas para o técnico são coisas boas, pois nos abre portas já que o profissional é contratado pelo seu currículo. Nas outras vezes que estive aqui fui bem. Isso abre espaço e temos um respeito maior. O santo André tem um nome muito grande no futebol brasileiro e estas oportunidades tendem abrir portas, e por isso trabalhamos para fazer o melhor
FPF: Qual é a importância dos acessos com o Catanduvense e Rio Branco para a sua carreira?
Rotta: O futebol paulista é a nata do futebol brasileiro. Todos estão vendo e cada vez mais evoluímos. Tentamos trabalhar desta forma sem apressar as coisas e um dia podemos estar em grandes projetos. E nesta volta ao Santo André tentarei ter mais uma grande passagem.
FPF: Quais foram os principais jogadores com quem trabalhou?
Rotta: Tive vários bons nomes, principalmente quando estive na base do Santo André. Trabalhamos com jogadores que estiveram até na Seleção Brasileira como o Richarlyson e outros que fizeram sucesso como: Alex (Zagueiro), Ângelo Júnior (goleiro), que está na Itália, Júnior Dutra, Maikon Leite, que pegamos em um regional, e o Willians hoje no Flamengo (RJ). Na base temos que ter um olho clínico, pois muitos treinadores quando fazem uma avaliação, esta por muitas vezes é realizada por obrigação, mas é neste momento que as coisas podem acontecer.
FPF: Sucesso como jogador e técnico do clube, qual a importância do Santo André para você?
Rotta: São anos que passei no clube, e com isso tenho um carinho especial, pois foi nele que tive a oportunidade de trabalhar. O que me trouxe aqui (Santo André) foi o passado, quando me tornei um ídolo assim como o Sandro Gaúcho, que estava no cargo. Algumas vezes as coisas não andam, mas não é por isso que vou deixar o meu amor pelo time.
FPF: Quais suas metas para o futuro?
Rotta: Não podemos nos iludir muito no futebol, ainda mais a gente que não chegou a ser aquele treinador de uma equipe de ponta, mas quero continuar a minha vida como técnico, já que gosto da minha profissão. Hoje tudo que tenho é graças ao futebol e nesta situação difícil que estamos, precisamos ter um equilíbrio emocional. Vamos buscar uma classificação com o Santo André, pois penso sempre para frente para terminar as coisas bem, mas com os pés no chão.