Rio de Janeiro, 23 de Setembro de 2026

Ídolo da Ferroviária em 1980, Douglas Onça quer manter sucesso no banco

Terça, 05 de Julho de 2011 às 05:46, por: CdB

Guilherme Franco,
Especial para o site da FPF

Nascido em Araraquara e revelado pela Ferroviária como uma das principais estrelas do clube na época, o ex-atleta Douglas Lima Onça, ou simplesmente Douglas Onça rodou o Brasil, mas retornou a sua cidade natal para realizar o sonho de treinar o time do coração. Aos 53 anos, Onça contou seu início da carreira de jogador, a importância do técnico Olivério Bazzani em sua vida, até o desafio de comandar uma das equipes mais estáveis do Campeonato Paulista Feminino de 2011.

Palavra de Técnico
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Assim como a maioria dos jogadores brasileiros, Douglas Onça não teve uma infância de muitas regalias. De família humilde, o garoto não tinha essa característica com a bola nos pés, já que desde jovem encantava os espectadores do campinho em frente sua casa, na Vila Xavier, bairro de Araraquara. Foi atuando na várzea que o meia-atacante foi levado pelos diretores da Ferroviária para treinar nas categorias de base do clube, sob o comando do técnico Olívério Bazzani.

Considerado por Onça como um pai dentro e fora das quatro linhas, Bazzani foi a inspiração do atual treinador a trilhar um caminho de sucesso como atleta de futebol. Aos moldes de Telê Santana, o ex-comandante da Ferroviária prezava pela integridade de seus jogadores tanto na carreira profissional como na vida fora do esporte. Sob o comando de Bazzani, Douglas atuou por cinco anos na equipe grená. Após esse período, o meio-campista ainda passou por Coritiba (PR), Sport (RE), Avaí (SC), Catanduvense e Marcílio Dias (SC), onde encerrou sua carreira aos 30 anos.

Após encerrar sua curta empreitada como jogador, Douglas Onça passou 23 anos afastado do futebol profissional, realizando apenas trabalho voluntário na cidade como professor de uma equipe de futsal. Em um desses treinos, porém, o ex-atleta foi convidado a comandar o time de futebol feminino da Ferroviária. Sem hesitar, Onça aceitou o desafio e deu o primeiro passou rumo ao sonho de se tornar um ídolo do clube também no banco de reservas.

Confira como foi o bate-papo com Douglas Onça sobre sua carreira como atleta e o novo desafio como técnico de futebol.

FPF: Como foi seu início no futebol?
Douglas Onça: Tive uma infância bem pobre em Araraquara. Apesar disso, não era problema para jogar futebol, pois tinha um campinho de futebol em frente de casa. Eu ficava o dia inteiro lá e acabei fazendo amizades com pessoas ligadas a Ferroviária. A partir daí, ingressei nas categorias de base do clube e mais tarde fui promovido ao profissional. Lembro como se fosse hoje quando eu treinava ao lado de ídolos da cidade, como Zé Luis e Washington.
 
FPF: Qual foi sua maior emoção dentro das quatro linhas?
Douglas Onça: Existem coisas que eu nunca esqueço pela Ferroviária. Houve uma partida contra o São Paulo, em 1984, pelo Campeonato Paulista, que estávamos perdendo por 1 a 0 em Araraquara e tivemos a oportunidade de virar para 3 a 1, com três gols marcados por mim. Foi muito marcante o resultado, pois o São Paulo tinha atletas renomados como Oscar, Careca e Pita.
 
FPF: Como foi sua decisão na hora de pendurar as chuteiras?
Douglas Onça: Todo jogador de futebol quando vai parar fica muito triste, pois é o que mais gosta de fazer. Eu não tive dúvidas e achei que era a minha hora. Me sinto realizado no mundo da bola apesar de ter parado com apenas 30 anos. Nunca tive muitos problemas por lesão e parei por vontade própria.
 
FPF: Como foi o desafio de virar treinador de uma equipe de futebol feminino?
Douglas Onça: Foi algo que realmente eu não esperava que fosse acontecer na minha vida. Não me arrependo em nenhum momento por ter aceitado esse desafio, pois as meninas já são muito especiais em minha vida. Na minha opinião, o futebol feminino é até mais técnico de se assistir. Com a força física sendo a característica preponderante para os atletas masculinos, no feminino não há tanto essa obsessão. Nós damos preferência para a bola no chão e o futebol arte.

FPF: Qual a projeção nacional e internacional para o futebol feminino nos próximos anos?
Douglas Onça: As meninas estão conquistando aos poucos o apelo nacional. Acredito que no futuro haverá mais investimentos e principalmente novas garotas com o sonho de se tornar jogadoras profissionais. Atletas como a Marta e a Cristiane nos deixam otimistas quanto aonde o futebol feminino pode chegar. Com mais alguns anos as meninas vão aumentar seu prestígio com o mundo.

FPF: Houve algum fato inusitado na sua carreira?
Douglas Onça: Tem uma história que eu nunca vou esquecer no tempo em que eu atuava na Ferroviária. Houve uma partida que fomos jogar em Piracicaba, pelo Campeonato Paulista e acabamos encontrando o Chico Anísio no hotel, que provavelmente estava fazendo alguns shows. Me juntei com alguns companheiros e fomos pedir autógrafo para o comediante. Assim que peguei meu autógrafo, disse a ele que era o ‘Coalhada de Araraquara’ (personagem de Chico Anísio), e ele perguntou por que eu não me transferia para algum time do Rio de Janeiro, Fiquei muito feliz com o reconhecimento dele, pois não imaginava que um atleta do interior paulista era tão conhecido no Rio.

FPF: Em qual técnico você se espelha?
Douglas Onça: Com certeza no Bazzani. Ele era uma pessoa maravilhosa, com exemplos dentro e fora de campo. Ele sempre nos dava conselhos para termos uma vida mais digna. Também nos precavia sobre falsos amigos e pedia para sempre pensarmos na família. O Bazzani é uma pessoa que vou levar para o resto da minha vida.

FPF: Como você imagina o seu futuro?
Douglas Onça: Eu não gosto de pensar muito no futuro, pois caso algo dê errado não estarei iludido. Esse trabalho na Ferroviária está sendo um grande aprendizado na minha carreira. É claro que se surgir uma oportunidade boa, estaria disposto a analisar a proposta. Quem sabe eu não me torno o técnico da Ferroviária um dia. Seria algo muito especial.

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