Depois de ter sido exibido há quase dois anos no Festival do Rio, Querido estranho finalmente estréia nas telas. A fita, uma das melhores e mais bem acabadas da Globo Filmes, é uma boa surpresa que prova, assim como Lisbela e o prisioneiro, que TV e cinema podem interagir e criar um produto de qualidade, sem cair em armadilhas da linguagem televisiva.
Há 17 anos sem aparecer no cinema, Daniel Filho se sai bem como o tempestuoso, e idiossincrático, Alberto (o ator não atuava nas telonas desde O romance da empregada, há 17 anos). Sobre uma questão pertinente do poderoso homem do entretenimento global com o diretor de Querido estranho, diz o release:
Sendo diretor, como foi seu relacionamento com Ricardo Pinto e Silva?
A relação com ele foi de troca de experiências. Ele é calmo, quer o melhor para o filme e é aberto a propostas. Mas o filme estava bem articulado em sua cabeça. Foi fácil.
Há quem afirme o oposto, mas o resultado final é um belo trabalho de roteiro (baseado no espetáculo teatral Intensa magia, de Maria Adelaide Amaral) e de atores. Idiossincrasias à parte, vale o ingresso e dá um otimismo na manjada questão da parceria entre TV e cinema (ou melhor, Globo Filmes e cinema).