Rio de Janeiro, 08 de Agosto de 2026

Idec sugere <i>caladão</i> contra aumento das tarifas telefônicas

No próximo dia 10 de julho, quinta-feira, das 12 às 14 horas, boa parte dos telefones fixos de todo país ficará ociosa. É o "Caladão", um boicote às operadoras telefônicas que reajustaram o preço do serviço em até 41,75% na semana passada. Originalmente o "Caladão" foi uma idéia do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), uma instituição criada em São Paulo em 1987. Segundo o advogado do instituto, Marcos Diegues, várias outras instituições na Bahia, Rio de Janeiro e Minas Gerais também abraçaram a idéia. (Leia Mais)

Sábado, 05 de Julho de 2003 às 08:24, por: CdB

No próximo dia 10 de julho, quinta-feira, das 12 às 14 horas, boa parte dos telefones fixos de todo país ficará ociosa. É o "Caladão", um boicote às operadoras telefônicas que reajustaram o preço do serviço em até 41,75% na semana passada. Originalmente o "Caladão" foi uma idéia do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), uma instituição criada em São Paulo em 1987. Segundo o advogado do instituto, Marcos Diegues, várias outras instituições na Bahia, Rio de Janeiro e Minas Gerais também abraçaram a idéia. "Não temos uma previsão de quantas pessoas aderirão ao movimento, mas cremos que haverá muitos interessados, pois é um tema que afeta o bolso de todos", disse. Uma sugestão do Idec é o uso do Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA) nos reajustes. Atualmente as tarifas são reajustadas pelo Índice Geral de Preços por Demanda Interna (IGP-DI), que é fortemente influenciado pelo dólar. "Esse índice só interessa às empresas. O IPCA é muito mais próximo da realidade do consumidor", explicou Diegues. Ele elogiou o Ministério das Comunicações por evitar que o IGP-DI seja usado nas renovações de contratos de concessão de telefonia, a partir de 2006. O Brasil não tem tradição em boicotes, mas eles já renderam bons resultados no passado. Em 1979, por exemplo, o movimento das donas-de-casa promoveu um boicote à carne, devido aos altos preços do produto. A redução de preços foi de até 20%. A idéia já ganhou adeptos na Câmara dos Deputados. O membro da Comissão de Direitos do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias da Câmara, deputado Daniel Almeida (PC do B - BA), já declarou seu apoio ao Caladão. "Uma campanha de adesão está sendo feita nos meios de comunicação e na Internet e acredito que a participação será grande", afirmou o parlamentar. Almeida foi o deputado que recolheu as assinaturas para instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o reajuste da telefonia. Mesmo com a liminar do juiz substituto Edison Moreira Grillo Junior, da 11ª Vara Federal em Minas Gerais, que suspendeu a cobrança em todo o país, o movimento vai continuar. "É necessário marcar claramente nossa opinião, até porque uma liminar é um recurso frágil, que pode ser suspenso num tribunal", disse Daniel Almeida. Para o representante comercial Antônio Valadão, de Brasília (DF), o valor das tarifas afeta diretamente seu trabalho. Ele tem duas linhas de telefone fixa e um celular e chega a gastar mais de R$ 400,00 por mês. "Para mim telefone é instrumento de trabalho. Preciso falar com meus clientes, pegar encomendas e fazer pedidos", explica. Segundo Valadão, o boicote é muito importante para sensibilizar as operadoras telefônicas. Portanto, vai aderir ao movimento da próxima semana. O deputado Daniel Almeida já sugere o "Caladão" do celular, que seria promovido no dia seguinte ao da telefonia fixa.

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