Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

Ícones da internet confrontam líderes globais

Sexta, 27 de Maio de 2011 às 04:35, por: CdB

De tão surpreendente, o assunto mereceu hoje uma longa matéria no Financial Times. Dois ferozes oponentes e ícones da internet, Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, e Eric Schmidt, presidente do conselho do Google, uniram-se na 5ª. feira para enfrentar juntos os dirigentes dos países mais poderosos do mundo.

Os dois empresários da web, além de outros colegas do setor, foram convidados a participar de uma reunião preparatória do G-8, dos chefes de estado dos Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e o Canadá (antigo G7), mais a Rússia. E, apesar de ser a primeira vez que empresários de tecnologia foram convidados a participar da cúpula, Zuckerberg e Schmidt apresentaram duras críticas às propostas de “civilizar” a internet, defendidas pelo presidente francês Nicolas Sarkozy, anfitrião da reunião da cúpula (leia mais ).

Em seus pronunciamentos, Zuckerberg e Schmidt confrontaram os presidentes norte-americano, Barack Obama, o francês, Sarkozy e a titular alemã, Angela Merkel. Cobraram mais cuidado no trato do polêmico tema sobre o policiamento da web. Para os dois empresários do setor, leis de direitos autorais ou de privacidade em debate correm o risco de limitar a mesma liberdade de expressão que serviu de base para galvanizar as recentes revoltas democráticas no mundo árabe.

Armadilha

O chefe de governo francês contrapôs-se aos dois empresários, alegando que a internet não pode escapar da submissão a um conjunto mínimo de regras. Zuckerberg, no entanto, ponderou que a regulação da internet poderia se transformar numa armadilha com conseqüências indesejadas.

Para o fundador do Facebook, um empresário que ainda não chegou aos 30 anos, a internet é um poderoso meio que dá voz às pessoas. Zuckerberg afirmou que, pode até ser tentador regulamentá-la sob os pretextos da segurança ou da proteção à privacidade. Mas, acrescentou: “pessoalmente, eu não acredito que esses argumentos sejam verdadeiros”.

Os argumentos de Schmidt foram em outra direção. Ele teme que o cerceamento à liberdade na internet possa comprometer a criação de novos mercados, novas oportunidades e uma miríade de inovações. Na mesma linha, Hiroshi Mikitani, fundador do maior portal de vendas online do Japão, o Rakuten, afirmou: “os governos deveriam considerar como usar a internet, ao invés de limitar o seu uso”.

Na contra mão dos empresários da internet, Stéphane Richard, presidente executivo da France Telecom, grande grupo de telefonia, defendeu a regulação da internet. Para ele, não há sentido isolar a internet das regras que se aplicam às demais esferas da sociedade.

Debate importante

O debate que se trava no G-8 é importante. Merece reflexão. A regulação da rede – um dos únicos territórios realmente livres da sociedade humana – põe em risco a sua essência. A internet é a grande novidade da sociedade moderna. É o mais democrático ambiente de comunicação de massa já criado. O seu uso com liberdade tem permitido a proliferação de manifestações de massa em todo mundo, a exemplo dos movimentos democráticos dos últimos meses que pipocaram desde o norte da África ao coração da Europa. Cerceá-la significa limitar a participação de pessoas ao redor do planeta.

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