Apesar da greve da Polícia Civil, deflagrada na quinta-feira, o Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) e o Instituto Médico Legal (IML) estão funcionando normalmente nesta sexta-feira. No entanto, a categoria afirma que todas as investigações estarão suspensas até segunda-feira, quando os policiais devem fazer nova assembléia para decidir se a greve continua ou não.
- O que pode acontecer no ICCE é que as delegacias demorem a fazer solicitação de perícias e o serviço atrase - disse o o diretor do ICCE, Liu Sun Yaei . No IML, segundo o diretor Roger Ancilotti, o movimento está normal.
Mesmo depois do aumento de 17% anunciado pelos secretários de Governo, Anthony Garotinho, e de Segurança, Marcelo Itagiba, a Polícia Civil decidiu, em assembléia geral, entrar em greve na quinta-feira. Segundo a categoria, a paralisação será chamada Operação Padrão. Eles reivindicam 69% de aumento, bem como a incorporação das GEAT, uma gratificação que só é dada atualmente para quem atua em delegacias legais. Hoje, o salário-base de um policial civil é de R$ 350. Com as gratificações, o valor chega a R$ 1.100.
No início da tarde, cerca de 300 policiais saíram em passeata pelas ruas do Centro e invadiram a Assembléia Legislativa do estado. A invasão foi feita aos gritos de "polícia". Os policiais entraram na Assembléia armados, descumprindo o Regimento Interno da Casa. Eles ocuparam as galerias do plenário e os corredores, para protestar contra o reajuste salarial oferecido. Vários deputados usaram a tribuna para manifestar apoio ao movimento grevista.
O delegado Álvaro Lins disse que os grevistas que forem identificados irão responder à sindicância na Corregedoria de Polícia pela invasão da Alerj.
- Esse grupo não tem representatividade perante os quase 11 mil policiais civis do Rio de Janeiro. Quem faltar o serviço ou quem atender mal as ocorrências policiais vai ser penalizado administrativamente e criminalmente - finalizou Lins.
- Este valor foi o máximo que o Governo pôde dar. Sabemos que a categoria merece mais - ressaltou o sub-chefe da Polícia Civil, José Renato Torres, que estava no prédio no momento da invasão.
Torres anunciou que vai convidar uma comissão de cinco policiais civis para se encontrar com o delegado Álvaro Lins, chefe de Polícia Civil. Ele explicou apenas que Álvaro Lins levará a comissão para se encontrar com o secretário de Segurança, Marcelo Itagiba.
De acordo com a Secretaria de Segurança , atualmente, há 10 mil policiais civis na ativa. Deste total, aproximadamente 200 estão participando das manifestações.